Metas de saneamento básico no Brasil serão frustradas
Metas de saneamento básico no Brasil serão frustradas

As metas de universalização do saneamento básico no Brasil, estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento, correm sério risco de não serem alcançadas até 2033. A conclusão é de especialistas e entidades do setor, que apontam entraves como a falta de investimentos, a burocracia e a lentidão na execução de obras.

Panorama atual do saneamento no Brasil

Atualmente, cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, e mais de 100 milhões não contam com coleta de esgoto. O Novo Marco Legal, sancionado em 2020, estabeleceu a meta de atender 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033. No entanto, dados recentes indicam que o ritmo de avanço está muito aquém do necessário.

Principais obstáculos

Entre os principais obstáculos apontados estão:

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  • Falta de investimentos: O setor necessitaria de cerca de R$ 700 bilhões em investimentos até 2033, mas os aportes atuais são insuficientes.
  • Burocracia: A lentidão na aprovação de projetos e licenças ambientais atrasa as obras.
  • Desigualdade regional: As regiões Norte e Nordeste apresentam os piores indicadores, exigindo esforços maiores.
  • Capacidade técnica: Muitos municípios não têm estrutura para elaborar e executar projetos complexos.

Consequências do atraso

O não cumprimento das metas tem impactos diretos na saúde pública, no meio ambiente e na economia. Doenças de veiculação hídrica, como diarreia e hepatite A, continuam a afetar a população mais pobre. Além disso, a poluição de rios e mananciais compromete o abastecimento e a qualidade de vida.

O que dizem os especialistas

Para o Instituto Trata Brasil, a situação é crítica. "Sem uma aceleração significativa nos investimentos e na execução de obras, as metas de 2033 estão cada vez mais distantes", afirma o presidente da entidade. Ele destaca que a pandemia de Covid-19 agravou o quadro, desviando recursos e atenção.

Já o governo federal reconhece os desafios, mas afirma que medidas estão sendo tomadas, como a aprovação de novos projetos de concessão e parcerias público-privadas. No entanto, especialistas alertam que o ritmo atual é insuficiente.

Perspectivas para o futuro

Para reverter o cenário, seria necessário um esforço coordenado entre União, estados e municípios, além de maior participação do setor privado. A modernização da gestão e o uso de tecnologias inovadoras também são apontados como caminhos possíveis. Contudo, o tempo é curto e a tarefa, hercúlea.

Enquanto isso, a população mais carente continua a sofrer com a falta de serviços básicos, evidenciando a urgência de políticas públicas efetivas. O Brasil tem o desafio de transformar uma promessa legal em realidade concreta, sob pena de comprometer o desenvolvimento sustentável do país.

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