O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, assassinado em 1982 por denunciar o 'Escândalo da Mandioca', foi oficialmente incluído no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A Lei 15.446/2026 foi sancionada pelo presidente em exercício Geraldo Alckmin (PSB) na terça-feira (30), no Palácio do Planalto. A homenagem reconhece a luta de Pedro Jorge contra a corrupção no Sertão de Pernambuco.
Escândalo da Mandioca: desvio milionário
O 'Escândalo da Mandioca' ocorreu entre 1979 e 1981 em uma agência do Banco do Brasil em Floresta, no Sertão pernambucano. Criminosos desviavam recursos do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) por meio de empréstimos agrícolas com documentos falsos e propriedades fictícias para o plantio de mandioca. Após obterem o dinheiro, simulavam 'quebras de safra' por seca ou pragas para receber indenizações do seguro agrícola. O prejuízo aos cofres públicos, em valores atualizados, pode ter chegado a R$ 20 milhões.
Denúncia e assassinato
Mesmo sob ameaças de morte, Pedro Jorge denunciou o esquema à Justiça, tornando rés 19 pessoas, incluindo um deputado estadual, militares, servidores e empresários que se passavam por trabalhadores rurais. Três meses após a denúncia ser aceita, ele foi assassinado com três tiros ao sair de uma padaria em Olinda, em 3 de março de 1982.
Condenações e consequências
Seis homens foram condenados pelo crime: Elias Nunes, Euclides de Souza, José Lopes, Heronides Cavalcanti, Jorge Ferraz e Irineu Gregório Ferraz. O mandante, ex-major da PM José Ferreira dos Anjos, ficou foragido por 12 anos e foi condenado a 32 anos e seis meses de reclusão. Ele cumpriu 10 anos e sete meses, mas foi solto em 2003 por indulto do então presidente Fernando Henrique Cardoso. O ex-PM morreu em novembro de 2018.
Homenagem e trajetória do projeto
A lei que inscreve Pedro Jorge no Livro dos Heróis foi originada de projeto da senadora Teresa Leitão (PT-PE), apresentado em março de 2024. O texto foi aprovado pela Câmara Municipal em maio de 2025. Na cerimônia de sanção, estiveram presentes Alckmin, Teresa Leitão, membros da Associação Nacional dos Procuradores da República e Roberta Viegas, filha de Pedro Jorge. A inclusão no livro é um reconhecimento póstumo à coragem do procurador no combate à corrupção.



