O policial penal Rudcrei da Costa Machado foi preso em Pelotas, no Sul do Rio Grande do Sul, suspeito de facilitar a fuga de um detento da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas. A prisão e os detalhes da investigação foram divulgados pela Secretaria de Segurança nesta quarta-feira (1º). Imagens de câmeras de monitoramento mostram o preso, indiciado por 10 homicídios, saindo pela porta da frente da cadeia em plena luz do dia. A fuga ocorreu em 21 de maio.
Falsificação de alvará de soltura
Segundo os investigadores, Rudcrei teria falsificado um alvará de soltura para o detento Willian Ramos de Oliveira. As imagens revelam que o preso foi retirado da cela, levado a uma sala onde teria recebido um documento falso e, a pedido do policial suspeito, conduzido por um agente de segurança até as portarias. Os papéis passaram por duas checagens antes da liberação.
Manipulação de registros para encobrir fuga
Para encobrir a ausência do apenado, que só foi notada em 1º de junho, o policial teria forjado movimentações no Sistema de Gerenciamento das Informações Penitenciárias (Infopen). Os investigadores explicam que Rudcrei utilizaria logins de colegas, oferecendo-se para cobrir o trabalho no horário de almoço. Com o acesso de terceiros, ele teria suprimido o nome do preso do livro de registros e simulado trocas de galeria para enganar as contagens diárias. Um dia após a fuga, o policial suspeito pediu transferência em caráter de urgência de Charqueadas para Rio Grande, solicitação que estava sob análise. A Corregedoria-Geral da Polícia Penal já havia afastado o policial.
Detento foragido de alta periculosidade
O detento solto irregularmente é considerado de alta periculosidade. Ele cumpria pena por homicídio qualificado por motivo torpe, tem mais de 34 anos de condenação restante a cumprir e segue foragido. A ausência do preso, que dividia a cela com outros oito homens, só foi notada em 1º de junho, durante uma conferência extraordinária na cadeia.
Agente já coordenou rotina das cadeias no RS
O agente é servidor de carreira há mais de 15 anos. Ele já ocupou cargos de chefia, como diretor de Recursos Humanos e diretor-adjunto do Departamento de Segurança e Execução Penal (DSEP), setor da antiga Susepe, responsável pela rotina das cadeias. Atualmente, trabalhava na penitenciária de Charqueadas. Sua remuneração bruta é de cerca de R$ 16,8 mil mensais. O policial pode responder por peculato, associação criminosa e falsificação de documento público.
Foragido tem mais de 34 anos de pena a cumprir
Willian Ramos Silveira tem 29 anos. A 1ª Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre, do Tribunal de Justiça (TJ-RS), expediu um mandado de prisão para recaptura. A juíza Priscila Gomes Palmeiro também solicitou esclarecimentos à Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Ele foi indiciado por 10 homicídios e cumpre pena por homicídio qualificado por motivo torpe. O apenado ainda tem 34 anos e sete meses de pena restante a cumprir no sistema prisional.
O que diz a Polícia Penal
A Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), por meio da Polícia Penal, confirma a fuga de um apenado da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas. Diante disso, todos os fatos e circunstâncias relacionados ao caso estão sendo rigorosamente investigados pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal e pela Polícia Civil. As instituições atuam de forma integrada para esclarecer os fatos, identificar eventuais responsabilidades e adotar as medidas administrativas e legais necessárias. Paralelamente às investigações, as forças de segurança permanecem mobilizadas nas ações de busca para a recaptura do foragido.



