Polícia investiga esquema de adoção ilegal de crianças em Goiás
Polícia investiga adoção ilegal de crianças em Goiás

Uma mãe foi presa em Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal, suspeita de entregar os próprios filhos para famílias de São Paulo, Goiás e Distrito Federal. Outra mulher também foi detida por suposto envolvimento no caso. A Polícia Civil investiga se houve negociação financeira na entrega das crianças.

Investigação começou após denúncia de pai

A polícia iniciou as investigações em maio de 2025, depois que um pai procurou o Conselho Tutelar e o Ministério Público para tentar obter a guarda da filha de 2 anos. Em entrevista à TV Anhanguera, o pai, que preferiu não se identificar, afirmou que tentava a guarda da criança há dois anos. “Em 2025, teve uma audiência para a gente estipular as visitas e a pensão alimentícia. Ficou estipulado que a cada 15 dias eu teria acesso a ela nas visitas, eu ficaria de sábado a segunda-feira até meio-dia. Só que nesse período eu consegui ver ela apenas quatro vezes”, contou.

Após a denúncia, uma equipe do Fórum de Novo Gama foi até a casa da mulher e encontrou uma bebê de 7 meses escondida em um quarto nos fundos. As mulheres presentes disseram que a criança era filha de uma vizinha, mas os profissionais desconfiaram da grande quantidade de latas de leite e de um carrinho de bebê no local.

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Quatro crianças teriam sido entregues há mais de 10 anos

Segundo a TV Anhanguera, a investigação apurou que quatro crianças, todos filhos da mesma mãe, teriam sido entregues para três famílias há mais de dez anos. Duas crianças foram para São Paulo quando tinham dois e quatro anos. Uma menina, hoje com 12 anos, foi entregue a uma família do Distrito Federal aos 10 meses. Um menino, hoje com 15 anos, foi levado para Pirenópolis quando tinha 3 anos.

O conselheiro tutelar Maison Alexandre Alves informou que o pai conseguiu a guarda da filha de 2 anos e o caso foi denunciado à polícia.

Maternidade confirmada, pagamento ainda é suspeita

A delegada Wanessa Marinho afirmou que não há dúvidas sobre a maternidade das quatro crianças. “Há certidão de nascimento e um histórico de que ela seria a mãe”, destacou. Segundo a delegada, há suspeita de pagamento pelas crianças, mas ainda não há confirmação. As mães que receberam as crianças negaram ter pago. Em depoimento, cada uma deu uma versão diferente.

“A mãe que reside em São Paulo com duas crianças disse que ela tinha o desejo de ser mãe, mas não podia gerar filhos. Ela ficou sabendo da adoção e pegou duas crianças para ela”, contou a delegada. “A do DF soube da notícia de que a mulher queria dar as crianças para alguém; em razão da comoção, ela pegou uma criança. A de Goiás tem um certo parentesco distante com a mãe da criança e disse que resolveu pegar a criança para ajudar.”

Defesa alega sigilo nas investigações

Em nota, a defesa de Camila Penha Rocha e Luciene Pereira de Souza disse à TV Anhanguera que as investigações correm em sigilo e que, neste momento, os fatos estão sendo apurados, sem responsabilidade das investigadas. As duas mulheres estão presas desde maio.

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