PF: Vorcaro bancou viagens de Ciro Nogueira a Paris e Nova York
PF: Vorcaro pagou viagens de Ciro Nogueira a Paris e NY

O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, retirou nesta terça-feira (16) o sigilo de trechos da investigação sobre o Banco Master. O relatório da Polícia Federal aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro pagou despesas de viagens internacionais para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e também para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Viagens de alto padrão

Segundo a PF, Vorcaro bancou diárias em hotéis de luxo e gastos em restaurantes para Ciro Nogueira em destinos como Paris, Nova York, Lisboa e Courchevel, estação de esqui na França. As despesas somam mais de R$ 468 mil, excluindo voos privados. Em Paris, em abril de 2024, uma conta de restaurante ultrapassou R$ 10 mil. Em Nova York, em maio de 2024, seis diárias de hotel custaram mais de R$ 245 mil. Em Lisboa, em junho de 2024, cinco diárias somaram mais de R$ 91 mil. Em Courchevel, em janeiro de 2025, gastos em restaurantes chegaram a mais de R$ 122 mil.

Relação funcional e instrumental

A investigação aponta que a relação entre Vorcaro e Ciro Nogueira ia além da amizade, sendo descrita como "funcional e instrumental", com interesses ilícitos e benefício mútuo. O senador teria atuado no Congresso para defender os interesses do banqueiro, enquanto Vorcaro oferecia vantagens indevidas.

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Emenda Master

Ciro Nogueira apresentou uma emenda parlamentar que ficou conhecida como "emenda Master", que propunha aumentar o valor da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A proposta não foi aprovada, mas a PF afirma que poderia ampliar os negócios de Vorcaro.

Preocupação com privacidade

Em uma conversa de junho de 2024, Vorcaro demonstrou preocupação com a privacidade de um evento em Lisboa, pedindo a privatização de um espaço em frente ao local. Na mensagem, ele disse: "Pode ser o Papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista".

Movimentações financeiras atípicas

A PF também identificou movimentações suspeitas em contas da empresa Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas, da qual o senador é sócio. Foram registrados valores entre R$ 4 milhões e R$ 9 milhões, movimentados de forma fragmentada, o que indicaria tentativa de ocultar a origem e o destino dos recursos.

Defesas não se manifestaram

Até o momento, as defesas de Daniel Vorcaro e do senador Ciro Nogueira não se pronunciaram sobre as acusações. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que sempre atuou com responsabilidade e que defende a apuração isenta dos fatos.

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