A Justiça do Rio Grande do Sul aceitou o pedido do Ministério Público (MP) para conceder medida protetiva contra Milena Ruppenthal Domingues, madrasta do filho de Silvana Aguiar com o policial militar Cristiano Domingues Francisco, principal suspeito pelo desaparecimento da família Aguiar. A família não é vista há mais de cinco meses.
Detalhes do desaparecimento
Silvana de Aguiar, 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, desapareceram nos dias 24 e 25 de janeiro. A família reside em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A polícia considera remotas as chances de encontrá-los com vida, tratando o caso como duplo feminicídio e homicídio.
Medida protetiva e defesa
Com a decisão, Milena está proibida de se aproximar do menino. Ela é ré no processo, acusada de participação nos feminicídios de Silvana e Dalmira, homicídio qualificado de Isail, ocultação de cadáver, fraude processual, associação criminosa, furto qualificado e falso testemunho. A defesa de Milena já apresentou pedido de revogação das medidas cautelares, argumentando que se passaram 128 dias entre o desaparecimento e o pedido do MP, sem fato novo que justifique a medida. A defesa afirma: "A defesa já apresentou pedido de revogação das medidas cautelares de afastamento, em razão da ausência de contemporaneidade e de urgência da medida, pois os fatos narrados e utilizados para sustentar o pedido de medida protetiva remontam aos dias 24 e 25 de janeiro, contudo, o Ministério Público somente veio a pleitear a medida protetiva em 01/06/2026, após o decurso de 128 dias, sem a indicação de qualquer fato novo ou elemento superveniente que demonstre situação atual de risco à integridade do menor."
Posição da advogada dos parentes
A advogada dos parentes dos desaparecidos informou que o MP distribuiu a medida protetiva com base na Lei Henry Borel, mas ainda não teve acesso ao teor completo. Ela declarou: "Informo que o Ministério Público distribuiu uma medida protetiva baseado na lei Henry Borel contra a Milena em favor do Cassiano tramitando na 2ª Vara Criminal da Comarca de Cachoeirinha. Ainda não tivemos acesso ao teor da medida do MP, pois pedimos habilitação e não fomos cadastrados. Pelo que consta no andamento, a medida foi concedida, mas, por respeito ao menor e ao sigilo, não podemos confirmar ou detalhar o conteúdo."
Buscas retomadas após denúncia anônima
Após denúncia anônima, a Polícia Civil retomou buscas pelos corpos na região da Estrada do Paquetá, em Canoas. As buscas, com auxílio de cães farejadores, foram encerradas às 15h15 de terça-feira (30), sem sucesso. O processo criminal está na fase de resposta à acusação pelas defesas. O policial militar Cristiano Domingues Francisco segue preso; sua atual esposa e o irmão respondem em liberdade. Cristiano é acusado de oito crimes: dois feminicídios, homicídio qualificado, ocultação de cadáveres, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica, furto e abandono de incapaz.



