A Justiça do Rio de Janeiro reafirmou nesta quarta-feira (26) o afastamento do empresário John Textor da gestão da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo. A decisão, proferida pelo desembargador Marcelo Lima Buhatem, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), manteve a liminar que impede Textor de exercer qualquer cargo de administração ou gestão na SAF do clube carioca.
Entenda a decisão judicial
O afastamento de Textor foi determinado originalmente em uma ação cautelar movida por um grupo de investidores minoritários da SAF do Botafogo. Eles alegam que o empresário teria praticado atos de má gestão e descumprido obrigações contratuais, colocando em risco a saúde financeira do clube. A liminar foi concedida em primeira instância pela juíza Renata Guimarães, da 7ª Vara Empresarial do Rio, que determinou o afastamento imediato de Textor.
Na decisão desta quarta-feira, o desembargador Marcelo Lima Buhatem negou o recurso interposto pela defesa de Textor, que pedia a suspensão da liminar. Segundo o magistrado, os elementos apresentados nos autos indicam a necessidade de manter o afastamento para garantir a integridade da gestão da SAF. "Há indícios de que a permanência do requerido na administração poderia agravar a situação financeira e administrativa da sociedade", afirmou o desembargador em sua decisão.
Impacto no clube e na SAF
Com a decisão, a gestão da SAF do Botafogo continua sob o comando de um conselho interino, composto por representantes dos investidores minoritários e do clube. O conselho é responsável por tomar decisões estratégicas e operacionais até que o mérito da ação seja julgado. A expectativa é que o processo principal seja concluído nos próximos meses, quando se definirá se Textor será afastado definitivamente ou poderá retornar à administração.
O Botafogo, que vive um momento de recuperação financeira após a reestruturação da dívida e a venda da SAF para o grupo de Textor em 2023, agora enfrenta incertezas quanto ao futuro da gestão. O clube, que havia conquistado a Libertadores em 2024 e a Série B em 2023, busca manter a estabilidade esportiva e financeira.
Reações e próximos passos
A defesa de John Textor informou que recorrerá da decisão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em nota, os advogados do empresário afirmaram que "a decisão é injusta e baseada em alegações infundadas dos investidores minoritários, que buscam desestabilizar a gestão vitoriosa de Textor à frente do Botafogo".
Por outro lado, os investidores minoritários comemoraram a decisão. "A Justiça reconhece que a gestão de Textor estava causando prejuízos ao clube e à SAF. Agora, podemos trabalhar para recuperar a confiança dos torcedores e garantir a sustentabilidade do Botafogo", disse um representante do grupo, que preferiu não ser identificado.
O Botafogo, por meio de sua assessoria, informou que não comentará a decisão judicial, mas que confia na Justiça e continuará focado nas competições esportivas, incluindo o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil.



