Julgamento Henry Borel: pai chora e xinga Monique durante vídeo
Julgamento Henry Borel: pai chora e xinga Monique

O julgamento do caso Henry Borel entrou em sua fase final nesta quarta-feira (3), com a exibição de um vídeo emocionante produzido pela assistência de acusação. As imagens mostraram momentos da infância de Henry, desde bebê até sua convivência com familiares. Durante a apresentação, o pai do menino, Leniel Borel, não conteve as lágrimas e, em um momento de forte emoção, dirigiu um xingamento a Monique Medeiros, que estava na plateia do Tribunal do Júri. "Desgraçada", disse Leniel, visivelmente abalado.

Vídeo de 5 minutos e 47 segundos

O vídeo, com duração de 5 minutos e 47 segundos, foi exibido pelo advogado Cristiano Medina, assistente de acusação que atua ao lado do Ministério Público. O material reuniu registros de Henry ainda bebê, imagens de sua convivência com familiares, momentos de lazer e trechos de reportagens veiculadas após sua morte. Um dos momentos de maior impacto ocorreu quando o vídeo mostrou imagens de Henry pouco antes de seu falecimento e registros produzidos durante a investigação. Em uma das cenas, o júri viu Henry já sem vida, deitado na maca do Instituto Médico Legal (IML), após a realização de exames periciais. Enquanto as imagens eram exibidas, Leniel chorou intensamente no plenário.

Argumentação da acusação

A apresentação do vídeo fez parte da sustentação da acusação, que busca convencer os jurados de que Henry foi vítima de agressões praticadas dentro do apartamento onde vivia com a mãe e o então padrasto, Jairinho. Antes da exibição, o promotor Fábio Vieira dedicou parte de sua argumentação à conduta de Monique Medeiros após a morte do filho. Segundo ele, a mãe de Henry passou a sustentar a versão de que era vítima de manipulação por parte de Jairinho apenas depois de ser presa. O promotor afirmou que Monique deixou de comunicar suspeitas de agressões contra o filho em diversos momentos anteriores à investigação criminal. "Ela não se importou com o filho dela, ela deu o filho para os leões, ela deu para os lobos, ela deu para o inimigo daquela criança", declarou Vieira.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Omissão de Monique

Vieira relembrou aos jurados que, conforme a acusação, Monique não relatou episódios de violência à psicóloga que acompanhava Henry, aos médicos que participaram do atendimento da criança no Hospital Barra D'Or nem aos policiais responsáveis pela investigação. O promotor também citou novamente o episódio ocorrido em 12 de fevereiro de 2021, quando a babá Thayná teria informado Monique sobre uma situação envolvendo Henry e Jairinho dentro do apartamento. "Não há dúvida alguma que o Henry chegou morto ao hospital, que ele foi agredido dentro do apartamento e que Monique sabia de todas as torturas. A babá comunicou a Monique sobre o dia 12. No momento em que o garoto entrou no quarto, fizeram uma chamada de vídeo. O garoto disse: 'mamãe, vem pra casa'", declarou o promotor.

Acobertamento e mudança de versão

Segundo o Ministério Público, Monique ignorou sucessivos sinais de que o filho estaria sendo vítima de agressões. "Monique minimizou aqueles atos. Minimizou para a mãe, para o irmão. A Monique acobertou o Jairo em todos os atos de tortura", afirmou o promotor. A acusação também sustentou que Monique permaneceu ao lado de Jairinho mesmo após a morte de Henry e argumentou que a mudança na versão apresentada pela ré ocorreu somente após a prisão do casal. "Ela continuou com o Jairo até um divisor de águas. O divisor de águas foi a prisão", disse Cristiano Medina.

Fase final do julgamento

O julgamento entrou nesta quarta-feira na fase final, quando acusação e defesa apresentam suas últimas argumentações aos jurados antes da votação que definirá o destino de Jairinho e Monique Medeiros. O caso, que chocou o Brasil, aguarda agora a decisão do júri.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar