Jovem atacada com ácido em Jacarezinho: júri popular será na segunda (8)
Jovem atacada com ácido: júri popular em Jacarezinho na segunda

O caso da jovem Isabelly Aparecida Ferreira Moro, atacada com soda cáustica em maio de 2024, em Jacarezinho, no norte do Paraná, terá seu desfecho no Tribunal do Júri na próxima segunda-feira (8). O julgamento está marcado para começar às 9h, no fórum criminal da cidade. Isabelly foi vítima de um ataque enquanto se dirigia à academia. Imagens de câmeras de monitoramento mostram a jovem correndo em busca de socorro após ser atingida pelo produto químico, que causou queimaduras de segundo grau.

Acusados e agravantes

O ex-namorado de Isabelly, Marlon Ferreira Lemes, é apontado como mandante do crime, enquanto Débora Aparecida Custódio Ferreira, então companheira dele, teria executado a ação. Ambos foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) por tentativa de feminicídio. O juiz Renato Garcia, ao decidir pela submissão do caso ao Tribunal do Júri, destacou três agravantes: recurso que dificultou a defesa da vítima (ataque de surpresa com disfarce), motivo torpe (sentimento de posse e vingança de Marlon, ciúmes e inveja de Débora) e meio cruel (uso de soda cáustica, produto tóxico e corrosivo). O Conselho de Sentença analisará se essas qualificadoras foram comprovadas.

O julgamento

Durante a sessão, serão ouvidas testemunhas e a vítima, e os acusados poderão ser interrogados. O advogado de acusação, Ilton Inácio, representante de Isabelly, informou que não apresentará novas testemunhas, utilizando as já constantes nos autos. Ele afirmou que a assistência de acusação buscará que os jurados apreciem os fatos com base nas provas produzidas. Marlon está preso preventivamente na Penitenciária Estadual de Londrina, e Débora, na Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina.

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Confissão e posicionamento das defesas

Em depoimento, Marlon e Débora confessaram o crime. Marlon disse ter planejado o ataque para dar um "susto" em Isabelly, supostamente por ela passar em frente à cadeia e debochar de Débora. Débora afirmou que Marlon comprou a soda cáustica e a orientou a usar disfarce. Ela declarou: "Ele queria jogar a soda nela para deixá-la feia".

A defesa de Marlon, representada pela advogada Tatiane Souza Paiva, sustenta que não há provas seguras de sua participação e que o caso não caracteriza tentativa de feminicídio. Já a defesa de Débora, conduzida pelo advogado Jean Campos, alega que ela foi vítima de violências física, psicológica e emocional por parte de Marlon, e que o julgamento será a oportunidade de relatar esses abusos.

Relembre o caso

O ataque ocorreu em 22 de maio de 2024, na Alameda Padre Magno, centro de Jacarezinho. Isabelly foi socorrida por um barbeiro que a viu pedindo ajuda e a levou ao hospital. A vítima sofreu queimaduras de segundo grau no rosto, boca, cavidade orofaríngea, hipofaringe e tronco, além de lesões nos lábios e cavidade oral. Ela ficou cerca de 30 dias internada no Hospital Universitário de Londrina (HU) e passou por intubação e sedação devido a um quadro infeccioso.

Notas das defesas na íntegra

Defesa de Marlon: "A defesa de Marlon Ferreira Lemes reafirma que não existem provas seguras nos autos capazes de demonstrar que o acusado tenha ordenado, participado ou contribuído para os fatos narrados na denúncia. Além disso, sustenta que o caso não reúne elementos que caracterizem tentativa de feminicídio, inexistindo demonstração de intenção de matar, circunstância que será devidamente debatida perante o Tribunal do Júri. A defesa confia que o julgamento ocorrerá com base exclusivamente nas provas produzidas nos autos, em respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência."

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Defesa de Débora: "A defesa recebe com tranquilidade a proximidade do julgamento, pois será a oportunidade de Débora relatar, perante o Conselho de Sentença, toda a violência física, psicológica e emocional que sofreu ao longo dos anos, culminando nos fatos que serão analisados pelo Tribunal do Júri. Durante a instrução processual, foram produzidas provas que revelam um histórico de abusos e agressões praticados por Marlon. No plenário, esses elementos serão apresentados e debatidos de forma ampla, permitindo que os jurados compreendam todo o contexto que envolveu os acontecimentos. A defesa acredita que o Conselho de Sentença decidirá com base nas provas constantes dos autos e reconhecerá que Débora também foi vítima de Marlon, submetida por longo período a um ciclo de violência do qual não encontrou proteção efetiva, mesmo após situações que já eram de conhecimento das autoridades competentes. É no julgamento, diante dos jurados, que toda a verdade poderá ser exposta e analisada em sua integralidade."