Os advogados Jonatas Alves Moraes e Guilherme Gibertoni Anselmo, presos na Operação Backdoor, são investigados por vazar informações sigilosas da Justiça para integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ambos atuam na área criminalista. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), as informações foram obtidas ilegalmente por meio da senha roubada de uma promotora de Justiça, beneficiando criminosos que fugiram antes do cumprimento de medidas judiciais.
Defesas dos advogados
A defesa de Jonatas Alves Moraes afirmou ao g1 que ele não participou dos fatos investigados. Já a defesa de Guilherme Gibertoni Anselmo informou que não vai se manifestar sobre o caso. Os mandados de prisão temporária foram cumpridos na última terça-feira (23) em Jaboticabal (SP) e Taquaritinga (SP).
Perfil dos investigados
Guilherme Gibertoni Anselmo atua como advogado desde 2005, formado em Direito pela Universidade de Araraquara (Uniara) em 2004, segundo seu perfil no LinkedIn. Em publicações profissionais, comenta decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), habeas corpus, execução penal, Lei de Drogas e garantias processuais. Em 2011, foi preso por tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de calibre restrito, quando foram encontrados maconha, crack e uma pistola calibre 45 em sua residência. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou que o processo tramita em sigilo.
Jonatas Alves Moraes formou-se em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), conforme perfil profissional. Seu trabalho de conclusão de curso foi sobre lavagem de dinheiro, e ele possui experiência internacional em Nova Iorque, Londres e Coimbra. É especialista em crimes econômicos, tráfico de drogas, associação ao tráfico, roubo, extorsão mediante sequestro, homicídio, crimes contra a mulher e organização criminosa. Também possui inscrição ativa na Ordem dos Advogados Portugueses na região do Porto desde novembro de 2022.
Detalhes da investigação
Segundo o Ministério Público, a investigação identificou que Jonatas e Guilherme fizeram acessos indevidos a sistemas do Judiciário e do Ministério Público para consultar informações sigilosas sobre membros do PCC. Os acessos foram realizados com credenciais de uma promotora de Justiça, e eles não atuavam nas defesas dos alvos. Antes dos acessos, os advogados foram avisados por uma ex-estagiária do Ministério Público, hoje advogada e também alvo da operação, sobrinha de um integrante do PCC suspeito de participação em um 'tribunal do crime' em Taquaritinga.
O Gaeco apurou que Jonatas, preso em Jaboticabal, foi o primeiro a fazer os acessos, identificados pela análise de IPs. Ele chegou a usar a senha em Portugal para acessar processos no Brasil. Guilherme, de Taquaritinga, acessou os processos e difundiu as informações para os investigados.



