Com apenas uma bicicleta, R$ 48 e um sonho, Georgios Beinis, de 30 anos, deixou São Vicente, no litoral de São Paulo, para pedalar sozinho até Ushuaia, cidade argentina conhecida como “fim do mundo”. Em dois meses, ele já percorreu mais de 2 mil km por estados brasileiros e países vizinhos. Atualmente está em Colônia do Sacramento, no Uruguai, de onde seguirá para Paysandú antes de cruzar a fronteira com a Argentina rumo ao destino final.
Inspiração e missão
Nascido em Atenas, na Grécia, Georgios veio ao Brasil aos três anos. Filho de um capitão da Marinha grega e de uma brasileira, retornou a São Vicente em 1998, após a morte do pai por câncer. No litoral paulista, cresceu e trabalhou como borracheiro, atendente de quiosque e ajudante de pedreiro. A ideia surgiu há cerca de um ano, quando viu outros ciclistas viajando até Ushuaia. Sem recursos para outros meios de transporte, encontrou na bicicleta uma alternativa para desbravar novos lugares.
“As pessoas acham que precisam de muito para ter as coisas. Com a bicicleta, meu intuito é esse: mostrar que, com o básico e com o pouco, a gente consegue fazer muitas coisas”, disse.
Jornada
Sem preparação financeira, iniciou a viagem com apenas R$ 48, após usar quase toda a rescisão de cerca de R$ 4 mil para pagar contas pessoais. Entre os desafios enfrentados estão os altos custos de estadia e a bicicleta com marchas limitadas, que o obriga a empurrá-la em subidas. Para manter o celular carregado, leva três carregadores portáteis e aproveita postos de combustíveis ou locais com energia elétrica. Apesar das dificuldades, afirma nunca ter sido assaltado e que não sente medo.
Destino e aprendizado
Ao longo da viagem, passou a contar com apoio financeiro de seguidores nas redes sociais, onde já soma mais de 4,7 mil pessoas. Após chegar ao Ushuaia e conhecer o local, ele disse que pretende retornar ao Brasil de bicicleta. A experiência, segundo Georgios, o tem deixado mais forte. “Essa viagem está me mudando. Aprendi a ter calma, paz e harmonia com a natureza”, concluiu.
“Sozinho e com Deus sempre. Não sinto nenhum medo, não. Sinto alegria em poder viver isso”, destacou.



