Ranking universitário mostra queda de universidades brasileiras, especialmente do Rio
Universidades brasileiras perdem posições em ranking global

A edição de 2026 do Center for World University Rankings (CWUR), divulgada na primeira semana de junho, traz resultados preocupantes para o Brasil, especialmente para as instituições federais do Estado do Rio de Janeiro. A maioria das universidades brasileiras perdeu posições em relação ao ano anterior, com destaque para a queda no componente de pesquisa, que representa 40% da pontuação total do ranking.

Metodologia do ranking

O CWUR combina sete indicadores em quatro dimensões principais: qualidade da educação (25%), medida pelo sucesso acadêmico de ex-alunos laureados; empregabilidade (25%), baseada na presença de egressos em posições de liderança nas maiores empresas do mundo; qualidade do corpo docente (10%), avaliada por professores com distinções acadêmicas internacionais; e pesquisa (40%), que inclui produção científica, publicações de alta qualidade, influência científica e impacto por citações.

Desempenho das principais universidades brasileiras

Entre as três mais bem colocadas do país — USP, Unicamp e UFRJ —, observam-se perfis distintos. A USP se destacou em pesquisa (82ª posição mundial), muito à frente de seus resultados em educação (549ª), empregabilidade (390ª) e corpo docente (203ª). A Unicamp apresentou padrão semelhante, com pesquisa em 117ª, educação em 854ª, empregabilidade em 516ª e corpo docente em 266ª. Já a UFRJ, embora ocupe a 407ª posição em pesquisa, alcança colocações relativamente melhores em corpo docente (176ª) e educação (504ª), enquanto figura em 489ª em empregabilidade.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Competitividade maior é em pesquisa

O contraste entre USP/Unicamp e UFRJ levanta questões sobre a capacidade desta última de converter sua tradição acadêmica em competitividade científica internacional. Enquanto Harvard lidera em todas as dimensões, as instituições brasileiras são mais competitivas apenas em pesquisa. Os indicadores de educação e corpo docente refletem legados acumulados ao longo de décadas, um desafio para universidades brasileiras, geralmente mais jovens. Já a pesquisa reflete a capacidade contemporânea de geração de conhecimento.

Resultados de 2026

Os resultados de 2026 mostram uma tendência de queda nos últimos anos. No ranking de pesquisa, as seis universidades mais bem posicionadas do Brasil perderam posições desde 2020. De 2025 para 2026, a USP recuou da 81ª para a 82ª posição, a Unicamp da 327ª para a 340ª, a Unesp da 428ª para a 450ª, a UFRJ da 393ª para a 407ª, a UFRGS da 445ª para a 446ª e a UFMG da 480ª para a 484ª.

O quadro é mais expressivo para as instituições fluminenses: a UFRJ caiu 14 posições em pesquisa, a Fiocruz caiu 20 (de 634º para 654º), a UERJ recuou 17 (de 833º para 850º) e a UFF despencou 23 pontos (de 938º para 961º). Em São Paulo, as quedas foram menores, com a Unesp caindo 22 posições e a UFABC, 274 posições.

Possíveis causas

O enfraquecimento relativo da competitividade científica no Rio de Janeiro coincide com instabilidade no sistema estadual de financiamento à pesquisa, enquanto a Fapesp manteve trajetória de crescimento e previsibilidade orçamentária. Embora não haja relação causal direta, a experiência internacional indica que sistemas científicos dependem de continuidade institucional e financiamento previsível.

Ciência como política de Estado

Os resultados do CWUR trazem reflexões sobre os caminhos da ciência brasileira. Países líderes em produção científica mantêm políticas de Estado de longo prazo para pesquisa básica, aplicada e formação de recursos humanos. A inovação é consequência da ciência de excelência, não sua substituta. O Brasil conquistou o descontingenciamento do FNDCT, mas é necessário que os recursos fortaleçam a pesquisa de ponta, infraestrutura e formação de pesquisadores.

A Finep ampliou sua atuação em inovação e empreendedorismo, mas os rankings sugerem a necessidade de equilíbrio com investimentos em pesquisa básica. O desafio brasileiro não é escolher entre pesquisa básica, aplicada ou inovação, mas fortalecer todas essas dimensões de forma complementar para sustentar a capacidade inovadora no longo prazo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar