O Texas aprovou uma lista de leituras obrigatórias para escolas públicas que inclui trechos da Bíblia, uma medida altamente incomum nos Estados Unidos. A decisão reflete políticas conservadoras e reacende o debate sobre a separação entre Igreja e Estado, além de levantar questionamentos sobre representatividade e diversidade no currículo escolar.
Lista baseada em clássicos, mas exclui títulos populares
A lista, elaborada pelo Conselho de Educação do Texas, é composta predominantemente por clássicos da literatura e textos históricos, deixando de fora obras que figuram entre as mais lidas atualmente. Especialistas apontam que a seleção carece de diversidade, com autores majoritariamente brancos e de origem europeia. Críticos argumentam que a inclusão de trechos bíblicos, embora defendida como de valor cultural e literário, pode violar o princípio constitucional da separação entre Igreja e Estado.
Medida visa aumentar rigor educacional
Defensores da nova política afirmam que a lista busca elevar o rigor acadêmico nas escolas públicas do Texas, expondo os alunos a obras fundamentais da cultura ocidental. No entanto, a medida enfrenta resistência de grupos que defendem um currículo mais inclusivo e representativo. Em contraste com a prática usual nos EUA, onde escolas ou professores individuais escolhem os textos, a padronização estadual é vista como uma imposição ideológica.
Segundo o Conselho de Educação, a lista inclui desde a Bíblia até autores como Shakespeare e Platão. A decisão já gerou protestos de organizações de direitos civis e de liberdade religiosa, que prometem contestar judicialmente a medida. Enquanto isso, o debate sobre o papel da religião na educação pública continua a dividir opiniões no Texas e em todo o país.



