Educação como prioridade permanente de Estado no Brasil
Educação como prioridade permanente de Estado no Brasil

As reportagens especiais sobre os caminhos da educação brasileira, publicadas pelo Estadão em 14 de junho, deixam uma constatação clara: o País já sabe o que precisa ser feito. O problema é transformar esse conhecimento em prioridade permanente de Estado. Há consenso sobre pontos centrais: alfabetizar todas as crianças na idade certa, recompor a aprendizagem dos alunos que ficaram para trás, melhorar a formação dos professores, fortalecer as avaliações, ampliar a escola em tempo integral e preparar melhor os jovens para um mercado de trabalho que já mudou.

O essencial para o futuro

O que causa indignação é perceber que, mesmo sabendo o caminho, o Brasil ainda convive com crianças e jovens que passam anos dentro da escola sem aprender o necessário. Não há desenvolvimento econômico, inovação, produtividade ou preparação para o futuro quando o aluno não domina leitura, escrita e matemática básica. Antes de falar em tecnologia, inteligência artificial, ensino técnico ou mercado global, é preciso garantir o essencial: o aluno precisa compreender o que lê, escrever com clareza, raciocinar, resolver problemas e interpretar a realidade ao seu redor. A escola pública brasileira não pode ser apenas um local de permanência. Precisa ser, acima de tudo, um espaço real de aprendizagem.

Políticas públicas e continuidade

O Brasil tem políticas públicas importantes, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), e seria um erro descontinuar o que funciona a cada troca de governo. Educação exige continuidade, planejamento, responsabilidade e vontade política. O aluno não pode aprender ou deixar de aprender conforme o CEP de onde nasceu, o partido que venceu a eleição ou a capacidade administrativa do município. Educação pública de qualidade não é favor. É condição para o futuro do País.

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Valorização docente

O País sabe o que falta para a transformação. Renata Cafardo vai ao ponto ao diagnosticar a desvalorização da profissão docente como o nó na educação. Para torná-la atraente, só uma melhor remuneração. Isso atrairá estudantes bem preparados vindos do ensino médio. Bons professores, empenhados e valorizados podem mudar a história de vida de tantas crianças e jovens e, no conjunto, contribuir para que o País supere seus desafios. Tudo começa pela valorização docente.

Poder Judiciário em xeque

Bela chacoalhada a Corte de Cassação italiana deu no nosso Supremo Tribunal Federal. Longe de inocentar a sra. Carla Zambelli, que merece pagar pelos crimes cometidos, mas é um aviso, um alerta para o nosso Supremo, hoje visto com desconfiança e indignação pela opinião pública brasileira – vide os casos do Resort Tayayá e do Banco Master, por exemplo, que colocam no olho do furacão os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes; sem falar do interminável inquérito das fake news ou de Gilmar Mendes e seu Gilmarpalooza em Portugal. Seria saudável, para os próprios ministros do Supremo, que eles descessem do pedestal, tomassem um banho de humildade e encontrassem uma maneira digna de corrigir o monte de bobagens que têm feito ultimamente. E seria ótimo que o presidente da República indicasse para a vaga aberta por Luís Roberto Barroso um jurista de alta qualidade, e não um apadrinhado – até porque, já que ele luta pela reeleição, com certeza uma escolha técnica passaria para a Nação uma impressão de seriedade.

A sorte de Zambelli

A sorte de Carla Zambelli é que ela tem direito à cidadania italiana. Assim foi possível recorrer ao Judiciário daquele país europeu para demonstrar fragilidades do processo conduzido contra si no Brasil. Outros brasileiros não tiveram nem terão a mesma sorte.

Caso Master e senadores

O Brasil vive uma das situações mais periclitantes de sua história recente. Os indícios da participação de ao menos três senadores da República em negociatas com cifras estratosféricas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, são repugnantes e merecem imediata apuração.

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Delação premiada

Se as delações de Daniel Vorcaro forem rejeitadas por omissões, seletividade ou falta de disposição para reparar os danos causados, apenas se reafirmará um princípio básico: colaboração premiada não é prêmio nem salvo-conduto para quem deseja preservar patrimônio ou escolher quais fatos e envolvidos revelar. Quem provoca abalos no sistema financeiro e busca os benefícios da lei deve oferecer informações completas e assumir as consequências de seus atos. Um país com mais de 200 milhões de habitantes espera que a Constituição seja respeitada e que a Justiça seja aplicada com igualdade. O maior dano à imagem institucional do Brasil não é apenas a corrupção em si, mas a impressão de que alguns réus enfrentam todo o rigor da lei, enquanto outros parecem desfrutar de uma curiosa blindagem. Justiça seletiva não fortalece a democracia; enfraquece a confiança dos cidadãos.

Nação anestesiada

Todos os sonhos, sonhos são. O Brasil é um país consciente? A provocação de Celso Ming sobre a nossa dificuldade de saber se o caos fiscal e a desordem global são um “sonho mau” nos obriga a encarar essa pergunta de frente. Para discernir a realidade da ilusão, dependemos da consciência. Em Os sete saberes necessários à educação do futuro, Edgar Morin deixa claro que o cérebro é biologicamente incapaz de fazer essa distinção sozinho, já que apenas recebe e processa estímulos isolados. O que nos ancora no mundo real é a consciência – e ser consciente é, por definição, entender-se como um ser social. Se o brasileiro hoje assiste ao rombo bilionário das contas públicas e à corrosão econômica sem saber se está acordado ou sonhando, é porque fomos educados para ignorar o impacto social de cada decisão política. Não conseguimos ligar a narrativa do palanque ao colapso real que destrói o futuro na ponta da linha. Enquanto formos incapazes de traduzir os estímulos oficiais nas consequências humanas e práticas que eles geram, a conclusão é um soco no estômago: não, não somos um país consciente. Somos apenas uma massa anestesiada flutuando em um transe coletivo e conveniente.

Terceira via

Nós, brasileiros que não somos alinhados aos extremos, teoricamente eleitores de centro, não temos candidato, mas podemos decidir a eleição. Assim foi em 2018, quando não queríamos a volta do PT ao poder. A única opção, na época, era Jair Bolsonaro, um congressista obscuro, inútil, mas único em condições de vencer. Ajudamos Bolsonaro a se eleger. Em 2022, constatado que Bolsonaro era um desastre pior do que imaginávamos, obrigamo-nos a eleger Lula. Chegamos a 2026 e ainda não temos candidato. Pior: seremos novamente obrigados a escolher o menos ruim. Triste sina a nossa.

Governo FHC

O artigo História, memória... e FHC, do ex-ministro da Fazenda Pedro S. Malan, em homenagem aos 95 anos de Fernando Henrique Cardoso, é uma aula de como estar preparado, ter objetivos concretos e acabar com a superinflação. FHC se propôs a enfrentar vários desafios e cumpriu. “O Brasil só consolidará sua democracia e reafirmará sua unidade como nação soberana se superar as carências agudas e os desequilíbrios sociais que infernizam o dia a dia da população.” Um texto que merece ser lido e repassado para que lembremos que já tivemos um estadista governando o Brasil.

Política predatória

Saudades do tempo em que tínhamos a perspectiva de um país cotado para ser gigante, dirigido majoritariamente por políticos dignos e honrados. De lá para cá, patinamos entre a mediocridade, a política predatória e a incapacidade de construir o futuro. FHC é uma daquelas raras pessoas que deveria ser imortal.

Justiça parcial

A Justiça italiana libertou e negou a extradição de Carla Zambelli ao Brasil, sob a justificativa da parcialidade do ministro Alexandre de Moraes no julgamento da ex-deputada. Os juízes da Sexta Seção Penal de Roma, na Itália, deram razão aos advogados de defesa de Zambelli, que mostram o ministro Moraes atuando como relator do processo, autor de medidas cautelares, julgador em todas as instâncias e também pessoa envolvida nos fatos. Essa decisão italiana mostra que a Justiça que impera no Supremo Tribunal Federal é falha, parcial, antidemocrática e julga conforme a cara do indiciado. Para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei.

Penduricalhos

Perfeito o editorial do Estadão Uma solução muito simples, que trata da remuneração da magistratura. Todos sabemos que, quando se cria um grupo de trabalho ou uma comissão de estudo para qualquer coisa, acaba não acontecendo nada. Esperava mais vindo de um presidente do Supremo Tribunal Federal.

Poder do povo

É incrível como o povo brasileiro sabe identificar quando um jogador não está bem em campo. As pessoas pedem em uníssono a entrada de um craque que resolva o jogo. Seria ótimo se o povo também percebesse quando um político não está desempenhando bem o seu papel. Melhor ainda se as pessoas se dessem conta de que elas mesmas podem substituir um político que não está jogando bem por um craque que faça gols e ganhe o jogo. Essa substituição pode ser feita diretamente pelo povo nas urnas – para isso servem as eleições.

Seleção brasileira

Baile na escuridão verde e amarela: Vini Jr salva seleção de escolhas erradas de Ancelotti na Copa. Que ninguém se iluda. É o que temos para o momento: um selecionado que pratica um futebol sem criatividade, com atletas desentrosados e nível técnico limitado. Um time dominado por uma boa seleção marroquina. Ficou barato. Pelas circunstâncias, o empate foi um ótimo resultado. Futebol é um esporte coletivo, e não podemos contar apenas com lampejos de Vini Jr. ou achar que Carlo Ancelotti possa fazer milagres, tirar leite de pedra. Tudo indica que, mais uma vez, para frustração do apaixonado torcedor brasileiro, nosso selecionado ficará pelo caminho.

Estreia ruim

Talvez como uma das piores estreias do Brasil em Copas do Mundo, nos EUA, em Nova Jersey, a seleção brasileira, neste preocupante 1x1, tremeu contra a boa seleção do Marrocos. Sem fazer prevalecer o fato de ser a única seleção pentacampeã do mundo, essa equipe de Carlo Ancelotti se mostrou ingênua, principalmente no primeiro tempo, quando, pelo volume de jogo dos marroquinos e pelos espaços encontrados em função de uma defesa inoperante, especialmente no meio de campo, poderia até ter sido goleada. Mas, graças a um golaço em jogada individual de Vinicius Jr., nossa seleção empatou. E só. Para continuar sonhando com o hexa, Ancelotti vai precisar convencer nossos jogadores de que estamos disputando uma Copa do Mundo e de que os nossos atletas precisam jogar com muita determinação ou, como se diz no jargão popular, comer até grama, sem deixar o adversário respirar liberdade em campo. Foi assim que o Brasil atuou e foi penta, nas estreias em que venceu seus adversários: em 1958, 3x0 na Áustria; em 1962, 2x0 no México; em 1970, 4x1 na Tchecoslováquia; em 1994, 2x0 na Rússia; e, em 2002, 2x1 na Turquia. Se nem tudo está perdido, já que empatamos com uma das melhores seleções desta Copa, resta-nos torcer e desejar que prevaleça o talento dos nossos jogadores, reconhecido e reverenciado pelo mundo.

Sofrido empate

O sofrido empate com Marrocos teve sabor de vitória para o Brasil, mas a exibição foi medíocre para uma seleção que disputa a Copa sonhando com o hexa. O desempenho deixou o torcedor cabisbaixo. Uma equipe confusa, sem criatividade, errando passes infantis e sem liderança em campo. Algum jogador precisa motivar o time, dar bronca, xingar, levantar o astral. Ao contrário da maioria das outras seleções, o Brasil não tem conjunto. Bons amistosos são escassos, e a impressão é que muitos jogadores se conhecem apenas no hall do hotel. As atuações medonhas de alguns atletas contra Marrocos mostram que Carlo Ancelotti, treinando pela primeira vez uma seleção, precisa falar grosso com o grupo. Ele dispõe de uma semana para consertar os erros. Neymar é peça fundamental para que a seleção melhore, porque a amarelinha é coisa séria. Copa é guerra: vacilou, cai fora. O Brasil precisa evoluir muito.

Bola murcha

Na tão aguardada estreia na Copa do Mundo, o Brasil do badalado técnico Carlo Ancelotti jogou um futebol bola murcha, sem nenhuma tática ou esquema que pudesse ameaçar o Marrocos. O Brasil que se viu não merece o ambicionado hexa nem faz jus às cinco estrelas conquistadas com garra e determinação ao longo dos anos. Infelizmente, sobra torcida e falta seleção. Que decepção.

Decepção

Para uma Copa do Mundo mequetrefe, uma estreia pífia da seleção brasileira. Faz tempo que a seleção canarinho não apresenta um bom futebol, mas o jogo em Nova Jersey foi decepcionante. Pareciam piões perdidos em campo. A seleção de Marrocos, que não tem grande nome no futebol, foi muito superior. Não adiantou contratar técnico estrangeiro, a peso de ouro, se a seleção continua entregando pouco.

Temporada aberta

Está aberta a temporada de contratação de técnico provisório e voluntário da seleção masculina de futebol. Mais de 200 milhões de opiniões sobre o iminente fracasso.

Negacionismo

Por que os comentaristas e a imprensa futebolística no Brasil são tão medíocres? Nada serve. Se ganha, faltou alguma coisa; se empata, o time não serve; caso perca, todos são péssimos. Tenham paciência! Como é fácil criticar. Os antigos comentaristas não sabem a diferença entre redondo e quadrado, mas, para eles, tudo está errado. Os esportes, no mundo todo, evoluíram, e as competições ficaram muito equilibradas. Vamos torcer e aplaudir. Chega de negacionismo!