O Brasil registrou em 2025 um total de 8,4 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, o que representa 4,9% da população nessa faixa etária. É a primeira vez, desde a criação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que a proporção de brasileiros que não sabem ler ou escrever fica abaixo de 5%. O índice vinha se mantendo acima desse patamar desde 2016.
Mais da metade dos analfabetos são idosos
Dos 8,4 milhões de analfabetos, mais da metade (aproximadamente 4,5 milhões) tem 60 anos ou mais. A taxa de analfabetismo entre os idosos é de 15,4%, enquanto entre os jovens de 15 a 29 anos é de apenas 0,9%. O envelhecimento da população contribui para que o número absoluto de analfabetos ainda seja elevado, mesmo com a redução da taxa geral.
Desigualdades raciais persistem
Os dados da Pnad Educação de 2025 mostram que as desigualdades raciais no acesso à educação básica continuam marcantes. Entre a população preta ou parda, a taxa de analfabetismo é de 6,5%, mais que o dobro da registrada entre brancos (2,8%). Entre os idosos, a diferença é ainda maior: 22,3% dos pretos ou pardos com 60 anos ou mais são analfabetos, contra 8,7% dos brancos na mesma faixa etária – uma diferença de quase três vezes.
Regiões Norte e Nordeste concentram maiores taxas
Regionalmente, as maiores taxas de analfabetismo estão no Nordeste (8,1%) e no Norte (6,2%), enquanto o Sul (2,5%) e o Sudeste (3,0%) apresentam os menores índices. O Centro-Oeste registra 3,8%. A pesquisa também aponta que 70% dos analfabetos do país vivem nas regiões Nordeste e Sudeste, em termos absolutos.
Analfabetismo funcional também preocupa
Além do analfabetismo absoluto, a pesquisa mede o analfabetismo funcional – pessoas que, embora saibam ler e escrever frases simples, não têm habilidades plenas de leitura, escrita e matemática para lidar com situações cotidianas. Em 2025, 28,6% da população de 15 anos ou mais é considerada analfabeta funcional, o que corresponde a cerca de 49 milhões de brasileiros. Esse índice é maior entre pretos e pardos (35,2%) do que entre brancos (22,1%).
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas focadas na alfabetização de idosos e na redução das desigualdades raciais e regionais, para que o Brasil possa avançar na garantia do direito à educação para todos.



