A prefeitura de Rio Branco anunciou nesta terça-feira (7) a assinatura do contrato emergencial de um ano com a JTP Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos LTDA, que assumirá o transporte coletivo da capital. A transição será feita em até 90 dias, de forma gradual, à medida que os novos ônibus chegarem. Durante esse período, a Ricco Transportes e Turismo continuará operando para evitar interrupção do serviço.
Frota renovada e tecnologia
A nova operação contará com 120 ônibus, dos quais 19 já estão disponíveis. A expectativa é que até o início de setembro o número de veículos zero quilômetro chegue a 60. Todos os ônibus terão ar-condicionado, Wi-Fi, carregadores para celular e acessibilidade, conforme o prefeito Allyson Bestene (PP). “Além da frota mais nova, teremos um sistema de GPS para acompanhar toda a operação e também acesso direto à bilhetagem eletrônica. Isso permitirá fiscalizar a quilometragem percorrida, o cumprimento dos horários e a qualidade do serviço prestado”, disse.
Fiscalização e novas linhas
O contrato prevê regras mais rígidas para fiscalização de horários e rotas. A RBTrans poderá monitorar em tempo real se os ônibus circulam conforme o planejado. “Esse contrato estabelece condições mais rigorosas para a empresa em casos de descumprimento de horários. Hoje teremos ferramentas para monitorar toda a operação e cobrar que o serviço seja prestado da forma correta”, acrescentou Bestene. Quatro novas linhas serão implantadas para atender regiões com maior demanda, segundo estudos da RBTrans.
Trabalhadores e subsídio
O plano de transição prevê a absorção dos funcionários da Ricco pela nova empresa. “Nossa prioridade é que ocorra o pagamento dos direitos trabalhistas e que esses profissionais sejam contratados pela nova empresa, garantindo continuidade ao serviço e segurança para os trabalhadores”, afirmou o prefeito. O subsídio municipal ao transporte coletivo aumentará em cerca de R$ 2 milhões, com remuneração de R$ 11,29 por quilômetro rodado. A tarifa e as gratuidades não serão alteradas. Os táxis-lotação continuarão autorizados apenas em regiões sem cobertura do transporte coletivo durante a transição.
Frota reduzida e crise
Enquanto a nova operação não é iniciada, o sistema funciona com frota reduzida. Na segunda-feira (6), apenas 39 ônibus estavam em circulação, cerca de 41% dos 94 veículos necessários. Quinze linhas permaneciam sem nenhum ônibus. A situação decorre de bloqueios judiciais contra a Ricco. Na última sexta (3), a RBTrans prorrogou o contrato com a Ricco por mais 60 dias. A diretora administrativa Weima Kedila explicou que os primeiros 30 dias são para organizar a bilhetagem eletrônica e a instalação da JTP, e os outros 30 para a chegada da nova frota.
Decisão judicial e impactos
Os transtornos se intensificaram após a Justiça do Acre cumprir carta precatória do Distrito Federal e apreender parte da frota da Ricco no dia 30. A decisão determinou a retomada de 50 ônibus por dívida de quase R$ 3 milhões, mas apenas 38 foram apreendidos devido a dívidas trabalhistas. Em julho de 2024, a Justiça de São Paulo já havia apreendido 16 veículos da empresa por atraso no pagamento de financiamentos. Passageiros enfrentam longas filas, ônibus lotados e aumento no tempo de espera. A cozinheira Maria de Nazaré Fernandes cobrou melhorias: “A gente quer que o problema da população com o transporte público seja resolvido. Tem gente aqui que está até dormindo dentro do ônibus esperando. Todo mundo tem conta para pagar, todo mundo tem compromisso. A gente quer uma solução. Bora, autoridades, acordem.”



