Em maio, São Paulo superou o Rio de Janeiro e passou a ter a cesta básica mais cara do Brasil, com aumento de 2,67% em relação ao mês anterior, totalizando R$ 1.000,94. Os dados são da Cesta de Consumo Neogrid & FGV IBRE, que monitora os preços de 35 produtos de alimentação, limpeza e higiene.
Variação entre as capitais
Enquanto São Paulo registrou a maior alta, o Rio de Janeiro teve a menor variação entre as capitais pesquisadas, com elevação de apenas 0,91%. Belo Horizonte manteve o menor custo, com R$ 769,83. A diferença entre a capital paulista e a mineira chega a R$ 231,11, o que representa 30% a mais.
O levantamento inclui sete capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Salvador e Recife. Em todas elas houve aumento no mês, mas com intensidades distintas.
Fatores que explicam os preços
Segundo a Neogrid & FGV IBRE, a alta demanda e a logística complexa influenciam os preços, acentuando desigualdades regionais. “São Paulo tem uma concentração populacional enorme e uma rede de distribuição que precisa percorrer longas distâncias, o que encarece o transporte”, explica o economista responsável pela pesquisa.
Além disso, itens como carnes, leite e pão francês tiveram aumentos significativos na capital paulista. Já no Rio, a estabilidade relativa se deve à menor pressão de demanda e a acordos locais de preços.
Impacto no orçamento familiar
A cesta básica mais cara impacta diretamente o poder de compra das famílias de baixa renda. Com o valor de R$ 1.000,94, o salário mínimo líquido (descontando INSS) de R$ 1.212,00 compromete 82,6% apenas com alimentação básica, deixando pouco para outras despesas essenciais.
Especialistas apontam que a disparidade entre as regiões reflete a necessidade de políticas públicas focadas em logística e incentivo à produção local. “Reduzir o custo da cesta básica passa por investir em infraestrutura e combater a concentração de renda”, afirma o analista de consumo.
Comparativo com meses anteriores
Em abril, o Rio de Janeiro liderava o ranking com R$ 982,00, seguido por São Paulo com R$ 975,00. A virada em maio mostra a volatilidade dos preços. Belo Horizonte, que já foi a mais cara em 2023, agora figura como a mais barata, evidenciando mudanças sazonais e de oferta.
O estudo completo da Neogrid & FGV IBRE pode ser acessado por assinantes. Os dados são utilizados por governos e empresas para planejamento econômico.



