Show de Roberto Carlos na Arena Niterói gera polêmica sobre custos
Show de Roberto Carlos na Arena Niterói gera polêmica

A inauguração da Arena Niterói, no último fim de semana, com dois shows de Roberto Carlos — um para convidados e outro com ingressos vendidos ao público — tornou-se alvo de questionamentos sobre os custos envolvidos e a distribuição de convites. A Prefeitura de Niterói firmou um contrato de R$ 4 milhões para a operação do novo equipamento público, mas a oposição na Câmara Municipal cobra explicações sobre a transparência do evento.

Contrato de R$ 4 milhões e cachê do artista

De acordo com a prefeitura, o valor de R$ 4 milhões cobre integralmente a operação da arena durante o período de inauguração, incluindo estrutura, segurança e limpeza. A administração municipal nega que tenha havido pagamento de cachê a Roberto Carlos, afirmando que a apresentação foi patrocinada pela concessionária Águas de Niterói. No entanto, vereadores de oposição questionam a falta de detalhamento do contrato e a ausência de licitação para a escolha do artista.

“O contrato de R$ 4 milhões merece ser esclarecido ponto a ponto. A população precisa saber quanto foi gasto com cada item e por que não houve processo licitatório”, afirmou o vereador João Silva (PSOL), em entrevista à imprensa local. A prefeitura, por sua vez, sustenta que o contrato seguiu todas as normas legais e que a parceria com a Águas de Niterói viabilizou o show sem custos extras aos cofres públicos.

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Distribuição de convites gera suspeitas

Outro ponto de controvérsia é a lista de convidados para o show fechado, realizado na véspera da apresentação pública. A oposição alega que os convites foram distribuídos de forma seletiva, privilegiando aliados políticos e empresários locais. “Não há transparência na seleção dos convidados. Isso levanta suspeitas de favorecimento”, declarou a vereadora Maria Santos (PT). A prefeitura respondeu que os convites foram destinados a autoridades, patrocinadores e moradores do entorno, mas não divulgou a lista completa.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) informou que está avaliando as denúncias protocoladas por partidos de oposição e pode abrir inquérito civil para investigar possíveis irregularidades no contrato e na distribuição de convites. A Arena Niterói, que tem capacidade para 15 mil pessoas, foi construída com recursos municipais e faz parte do projeto de revitalização da região portuária da cidade.

Impacto político e próximos passos

A polêmica ocorre em um ano eleitoral, com a prefeitura sob pressão para demonstrar responsabilidade fiscal. O prefeito Carlos Alberto (PDT) defendeu o evento como um marco para o turismo e a cultura local. “Roberto Carlos é um ícone nacional, e a arena é um presente para a cidade. O contrato é transparente e os valores são compatíveis com o mercado”, afirmou em coletiva de imprensa.

Enquanto isso, a Câmara Municipal deve instalar uma comissão especial para acompanhar a execução do contrato e convocar o secretário municipal de Obras para prestar esclarecimentos. A população de Niterói aguarda respostas sobre o uso do dinheiro público e a real destinação dos convites, enquanto o MP-RJ decide se aprofunda as investigações.

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