O Residencial Altino Alves Teixeira, localizado no cruzamento da Avenida Goiás com a Rua 2, no Centro de Goiânia, será transformado em moradia para 52 famílias por meio do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) – Entidades. O prédio estava sem uso há mais de dez anos. As famílias beneficiadas já foram selecionadas e possuem renda mensal de até dois salários mínimos, além de não serem proprietárias de outro imóvel.
Investimento e financiamento
De acordo com reportagem do jornal O Popular, o imóvel pertencia à União e foi cedido ao Movimento pela Reforma Urbana do Estado de Goiás (MRU-GO), que venceu uma seleção nacional para a execução do projeto. O investimento total para a requalificação do prédio é de R$ 10,9 milhões, com financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF). Cada unidade habitacional recebeu o aporte de R$ 210 mil. As obras de revitalização devem começar nas próximas semanas, com prazo de conclusão estipulado em 18 meses.
Características do edifício
A estrutura do edifício, anteriormente denominado Edifício Senador João Vila Boas, possui 11 andares e contará com apartamentos de um e dois quartos. O projeto de retrofit prevê a manutenção dos traços art déco originais da fachada, além da instalação de itens de acessibilidade para pessoas com deficiência em todas as unidades. O prédio também terá áreas de uso comum, como salão de festas, brinquedoteca e biblioteca. A previsão é de que ele tenha "fachada ativa", com duas salas no térreo que deverão ser alugadas para custear despesas do condomínio, como manutenção de elevadores, hall de entrada e zeladoria.
Parcerias e execução
A execução das obras conta com a parceria da Integra Construtora e o acompanhamento da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). De acordo com a presidente do MRU-GO, Simone Inocêncio Teixeira, todas as famílias já assinaram o termo de adesão. "Estamos com o contrato com a Caixa no processo de registro do cartório. Falta resolver isso para colocar a placa para o início das obras", explicou. Segundo a presidente, o objetivo do projeto é a ocupação da região central da capital e a inclusão social das famílias. O imóvel é o primeiro edifício em Goiás a participar de um programa de habitação que utiliza prédios abandonados para abrigar pessoas da Faixa 1 do MCMV, voltada à menor renda.
Desafios e articulação
"Precisamos de parcerias. Por isso, estamos articulando com o poder público municipal para que se tenha a isenção de impostos para os moradores. A União fez a parte dela, agora os demais entes também precisam. E vamos ter também o aluguel das salas para custear o condomínio. Não vamos soltar a mão dessas famílias", disse a presidente ao repórter Vandré Abreu.
Histórico de degradação
O imóvel abrigou uma agência da Caixa Econômica Federal até os anos 2000. Em 2010, o Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito para apurar as condições de conservação do local, e um relatório de 2014 apontou a degradação da infraestrutura. O processo para a liberação das obras e da documentação necessária teve início em 2023. A proposta integra uma política de reaproveitamento de imóveis em áreas centrais para fins de habitação social. A presidente do MRU em Goiás afirmou ainda que trabalha junto a órgãos públicos, como a Câmara de Goiânia, para a captação de outros imóveis na região para novas políticas habitacionais. "Da União, esse era o único, mas há outros, até mesmo particulares, que podemos trabalhar com os órgãos públicos para adquiri-los", afirmou.
Preparação das famílias
À reportagem, a superintendente da SPU em Goiás, Rosana Carvalho, informou que a Caixa tem realizado um trabalho de assistência social e psicologia com as famílias escolhidas. "Para fazer essa política, a gente precisa ver o perfil das famílias. Elas estão acostumadas a morar em casa, com quintal, animais e horta. Nem todos se adaptam a um apartamento no Setor Central. É preciso analisar esse perfil para que as pessoas possam se mudar e permanecer no local", afirmou. A superintendente disse que, em um primeiro momento, a administração do condomínio terá o auxílio do MRU, mas a previsão é de que os próprios moradores assumam essa gestão futuramente. Simone Teixeira destacou que, desde o início do projeto, escuta questionamentos e falas preconceituosas sobre a presença desses moradores no Centro. "Falam muito se vão conseguir se manter e até coisas piores, sobre segurança. Mas vamos estar junto deles, com cursos e apoio. Precisamos disso para requalificar o Centro. Ao mesmo tempo, eles não terão custos com transporte e terão acesso a empregos, escolas e outros benefícios que o bairro já tem", defendeu. As famílias selecionadas moram atualmente de aluguel ou em imóveis cedidos.



