Rotina de cuidados com quase 100 animais
Adriano Lemos, de 36 anos, morador de Itirapina (SP), dedica sua vida a cuidar de cerca de 100 cães e gatos. Atualmente, 13 animais resgatados vivem dentro de sua casa, enquanto outros 80 são amparados nas ruas ou em lares temporários de famílias carentes. A rotina envolve alimentação, transporte, medicações e castrações entre Itirapina e Rio Claro (SP).
Preconceito pela aparência
Antes de conhecerem seu trabalho na causa animal, muitas pessoas estranham o estilo de Adriano, marcado por várias tatuagens e piercings. Segundo ele, é comum enfrentar julgamentos e desconfiança por causa da aparência. "Muitas pessoas demonstram surpresa ao descobrir que alguém com esse estilo atua no resgate e proteção de animais", afirmou. Apesar disso, ele prefere ser reconhecido pelo trabalho realizado diariamente com os bichos.
Fé como combustível
Adriano faz da fé o combustível para manter o projeto, que sobrevive de rifas, doações e parcerias. "É Deus mesmo que sustenta tudo isso. Já vivemos cada milagre", disse. Com mais de 243 mil seguidores no Instagram, ele também conta com a ajuda de doações para cobrir todos os gastos. Toda arrecadação é divulgada de forma transparente: "Aqui a gente pede, a gente faz e a gente mostra", afirmou.
Infância e amor pelos animais
O amor pelos animais começou na infância, quando o pai levou para casa o primeiro cachorro da família, chamado Negão. Histórias que ouviu quando criança, como a lenda da "carrocinha" que recolhia cães para fazer sabão, fortaleceram sua ligação com os bichos. A partir disso, ele passou a enxergar os animais abandonados com mais preocupação e empatia.
Trabalho como passeador e cuidador
Além dos resgates, Adriano trabalha como passeador e cuidador de cães. O serviço é procurado principalmente por pessoas que viajam e precisam de alguém para cuidar de seus pets. A renda ajuda a cobrir os custos do projeto, que incluem ração, exames, medicamentos e atendimento veterinário. Alguns veterinários ajudam oferecendo descontos: um procedimento que normalmente custaria cerca de R$ 500 acaba saindo por aproximadamente R$ 300. Segundo Adriano, esse apoio faz toda diferença na continuidade do trabalho.
Resgate marcante de gato com drogas
Entre os casos que mais o marcaram, Adriano cita o resgate de um gato em estado crítico após ingerir drogas ilícitas pertencentes ao próprio tutor. O animal foi levado para atendimento quase à meia-noite e, após uma semana internado, sobreviveu. "Enquanto há vida, há esperança", afirmou.
Desafios financeiros e vontade de desistir
Mesmo com os avanços, ele admite que já pensou em desistir. A falta de recursos, o aumento de abandonos e a sensação de "enxugar gelo" são alguns dos desafios. "Já pensei em desistir várias vezes, quando as doações não entram e as contas chegam", afirmou. Ainda assim, ele diz continuar por acreditar que muitos animais dependem exclusivamente dele. "Eles só têm a mim. Se eu não for, quem vai?", desabafou.
Sonho de criar um abrigo
Adriano alugou uma chácara com a intenção de comprá-la futuramente para construir um espaço capaz de receber ainda mais animais. O aluguel do imóvel custa R$ 1,5 mil por mês. Outros R$ 1,5 mil são destinados ao consórcio para a compra da propriedade, avaliada em R$ 310 mil. Enquanto tenta arrecadar recursos, recebeu autorização do proprietário para morar no local pagando o aluguel. "Meu maior sonho hoje é ver esse espaço, que hoje é só mato, se tornar um abrigo de verdade", afirmou.
*Sob supervisão de Fernando Bertolini



