O estado do Acre foi o destaque de um festival cultural em Nova York, nos Estados Unidos, no último domingo (7). A exposição e oficina intitulada 'Acre em Celebração: Natureza, Histórias e Novos Futuros' levou ao público a rica biodiversidade, a cultura e as histórias da Amazônia durante o Festival OPA! Festa Junina 2026, realizado no House of Yes, um tradicional espaço cultural no distrito artístico de Bushwick, no Brooklyn.
Jovem embaixadora do Acre
A atividade foi conduzida pela estudante Eduarda Mendes, de 16 anos, que residiu em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, entre 2021 e 2023. Atualmente, ela integra o Programa Jovens do MoMA, do Museu de Arte Moderna de Nova York. Durante o evento, Eduarda apresentou oito pinturas inspiradas na fauna, nos rios e nos povos da Amazônia, além de promover reflexões sobre a preservação ambiental.
Entre os temas retratados estavam o monitoramento da onça-pintada, a relação simbiótica entre uma espécie de borboleta e uma tartaruga amazônica, e histórias ligadas à defesa da floresta, como as de Chico Mendes. Em entrevista ao g1, Eduarda explicou que um dos objetivos da oficina foi desconstruir os estereótipos frequentemente associados ao Acre.
“Espero que as pessoas saiam dessa experiência entendendo que o Acre é muito mais do que um lugar distante no mapa. É um lugar cheio de cultura, histórias e uma biodiversidade incrível. Também espero que elas percebam que a preservação da Amazônia é uma responsabilidade de todos nós, não importa onde vivemos”, afirmou a jovem.
Trajetória inspiradora
Nascida no Rio de Janeiro, Eduarda mudou-se para o Acre em 2022 por causa do trabalho desenvolvido por sua mãe, Carol Bispo, na ONG Elas Existem, que atua com detentas. Atualmente, Carol acompanha a filha em Nova York e trabalha como pesquisadora visitante na Universidade John Jay, apresentando também o trabalho que realizou no Acre.
“Abri uma sede em Cruzeiro do Sul para trabalhar com as mulheres em prisão e diminuir o índice de violência do Norte. Hoje minha ONG, além de estar no Rio de Janeiro e em Salvador, tem sede aqui em Nova York e deixamos políticas públicas voltadas para mulheres por lá”, destacou Carol.
A experiência no interior acreano serviu de inspiração para grande parte das obras apresentadas por Eduarda em Nova York. “No período em que morei no Acre, o que mais me marcou foi o verde e a conexão com a floresta. Até o céu parecia ser mais perto. Também me chamou atenção a quantidade de elementos naturais presentes no dia a dia”, relembrou.
Curadoria e visibilidade internacional
A participação da adolescente no festival foi possível graças ao Programa Jovens do MoMA e sua atuação como curadora em uma exposição voltada a futuros imaginados. O trabalho chamou a atenção da produtora cultural Angélica Walker, que convidou a estudante para desenvolver uma mostra relacionada ao Acre durante a programação da festa.
A exposição reuniu obras inspiradas em elementos da região, como o Rio Juruá, comunidades ribeirinhas, crianças indígenas e espécies da fauna amazônica. Segundo Eduarda, alguns temas despertaram especial curiosidade entre os participantes da oficina. “Houve muitas perguntas sobre a borboleta que suga as lágrimas da tartaruga e também sobre a ameaça de extinção da onça-pintada causada pela ação humana”, contou.
Angélica Walker detalhou que a proposta buscou aproximar crianças e adultos de temas ambientais por meio da arte. “Por meio da arte, o Acre foi apresentado como um território de biodiversidade extraordinária, de culturas vivas e de histórias que ajudam a compreender os desafios e as esperanças da Amazônia contemporânea”, destacou a produtora.
Fortalecimento cultural
Além da exposição, a programação do festival incluiu apresentações musicais, dança, gastronomia, performances artísticas e atividades voltadas à valorização da cultura brasileira. Para Márcia Oliveira, que participou da divulgação do evento, a presença do Acre em eventos internacionais amplia o conhecimento sobre a região.
“O Acre ganhou em informação cultural, divulgação e incentivo aos cuidados com o meio ambiente. Muitas pessoas tiveram contato com o Acre pela primeira vez e puderam conhecer mais sobre a cultura, a preservação da natureza e a importância da Amazônia”, completou.



