Após dois meses consecutivos de queda, o número de famílias endividadas voltou a crescer no Acre. Em maio, 109.204 famílias declararam possuir algum tipo de dívida, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC).
O resultado representa um aumento em relação a abril, quando 107.877 famílias estavam endividadas. O avanço interrompe a tendência de redução observada nos dois meses anteriores e ocorre em meio ao crescimento do número de consumidores que afirmam não ter condições financeiras de quitar os débitos.
Inadimplência e dificuldades de pagamento
Embora o total de famílias endividadas tenha aumentado, a quantidade de pessoas com contas em atraso apresentou leve redução de 0,1% na comparação com abril. Por outro lado, o número de consumidores que disseram não conseguir pagar as dívidas cresceu 2,85% no mesmo período.
Em janeiro, o Acre contabilizava 107.519 famílias endividadas. Em fevereiro, o total chegou a 109.059, o maior índice do ano, antes de apresentar recuo em março, quando foram registradas 108.455 famílias. Em abril, o número continuou em queda, chegando a 107.877 famílias. Em maio, porém, houve alta para 109.204.
Cartão de crédito é o principal vilão
O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento das famílias acreanas, concentrando 84,6% das dívidas registradas no estado. Em seguida aparecem os carnês e o crédito pessoal.
De acordo com o assessor institucional da Fecomércio Acre, Egídio Garó, a utilização inadequada do cartão de crédito segue entre os principais fatores que contribuem para o aumento do endividamento. “Mesmo com um planejamento financeiro familiar sendo praticado, a utilização dos cartões de crédito sem um devido planejamento de gastos continua sendo o grande causador do endividamento, lembrando que tal modalidade é a que pratica as maiores taxas de juros do mercado e, consequentemente, é a que mais dificulta sua regularização em curto e médio prazo”, afirmou.
Garó ressalta ainda que o cartão de crédito deve ser utilizado com cautela, principalmente na compra de itens de consumo recorrente. “Seu uso deve ser evitado na aquisição de bens não duráveis, como despesas de supermercado, combustíveis e medicamentos de uso contínuo, notadamente com o parcelamento das respectivas compras, o que em momento futuro ocasionará o acúmulo de valores, conduzindo o devedor ao inadimplemento”, destacou.
Cenário nacional
A pesquisa mostra ainda que o cenário acreano acompanha uma tendência observada em todo o país. Nacionalmente, 81,6% das famílias declararam possuir algum tipo de dívida, o equivalente a cerca de 14,8 milhões de lares. Entre as famílias brasileiras endividadas, mais de 5,5 milhões afirmaram ter contas em atraso e aproximadamente 2,2 milhões disseram não ter condições de quitar os débitos.



