A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans) divulgou nesta segunda-feira (6) que apenas 39 ônibus estão em operação no sistema de transporte coletivo de Rio Branco. O número representa 41% da frota necessária para atender toda a demanda, que seria de 94 veículos.
Linhas com maior número de ônibus
De acordo com a autarquia, as linhas com mais veículos em circulação são: Sobral (301), com três ônibus; Santa Maria/Vila Acre (103), Liberdade (104), Cidade do Povo/Chico Mendes (116A), Calafate (404), UFAC/Via Avenida Ceará (501), Universitário (502) e Transacreana Km 44/Km 58 (381), cada uma com dois ônibus. As demais linhas ativas contam com apenas um ônibus cada.
Linhas com um ônibus operante
As linhas que operam com um único veículo são: 102 Taquari/Praia do Amapá, 109 Polo Benfica, 114 Bom Jesus, 115 Castanheira/Garapeira, 117 Belo Jardim I, 118 Belo Jardim II, 201 Tancredo Neves, 203 Alto Alegre, 204 Mocinha Magalhães, 205 Irineu Serra, 303 Bahia/Carandá, 401 Fundhacre, 405 Conjunto Esperança, 406 Jequitibá/Cia. da Justiça/Floresta, 523 Jorge Kalume/T. Tucumã, 524 Aeroporto/Aquiles Peret, 701 São Francisco/Placas, 702A Apolônio Sales/Mangueira, 704 São Francisco/INCRA, 705 Quixadá, 706 Panorama, 708 Apolônio Sales/Altamira, 803 Manoel Julião e 901 UFAC/Rodoviária.
15 linhas sem nenhum ônibus
A RBTrans informou que 15 linhas estão completamente paradas: 101 Santa Inês, 105 Amapá, 106 Seis de Agosto/Judia, 107 Recanto dos Buritis, 108 Polo Belo Jardim, 113 Jacarandá, 116B Cidade do Povo/Amadeu Barbosa, 119 Palheira, 304 Aeroporto Velho/Cabreúva, 382 Polo Wilson Pinheiro/Transacreana Km 25, 402 Floresta/Shopping, 702B Apolônio Sales/APADEQ, 703 Wanderley Dantas/Café Contri, 801 Tropical/Morada do Sol, 805 Aviário/Cadeia Velha e 902 IFAC/Universidades.
Prorrogação de contrato com a Ricco
Na última sexta-feira (3), a RBTrans confirmou a prorrogação do contrato por mais 60 dias com a Ricco Transportes e Turismo. Segundo a diretora administrativa da instituição, Weima Kedila, os primeiros 30 dias (fase inicial) serão para organizar a bilhetagem eletrônica e instalar a JTP Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos LTDA, contratada para assumir a operação. “Nesse período da fase inicial, também vai ocorrer a instalação de garagem e a contratação dos servidores. Os outros 30 dias são para que a nova frota consiga chegar até a capital acreana”, explicou a diretora.
O prefeito Alysson Bestene (PP) destacou que a prorrogação visa não prejudicar a população. “São cerca de 120 ônibus novos que estão chegando, mas a Ricco ainda vai continuar operando nas condições que a gente espera que melhore”, disse.
Decisão judicial e apreensão de frota
Os transtornos se intensificaram desde a última terça-feira (30), quando a Justiça do Acre cumpriu uma carta precatória expedida pela Justiça do Distrito Federal e apreendeu parte da frota da Ricco. A decisão judicial determinou a retomada de posse de 50 ônibus devido a uma dívida de quase R$ 3 milhões. Contudo, para evitar mais transtornos, a Vara de Cartas Precatórias decidiu apreender apenas 38 veículos.
Na manhã de sexta-feira (3), um ônibus da linha Tancredo Neves apresentou problemas mecânicos. A cozinheira Maria de Nazaré Fernandes, que estava entre os passageiros, cobrou melhorias: “A gente quer que o problema da população com o transporte público seja resolvido. Tem gente aqui que está até dormindo dentro do ônibus esperando. Todo mundo tem conta para pagar, todo mundo tem compromisso. A gente quer uma solução. Bora, autoridades, acordem. Vocês que falam bonito, se mexam. Se estivessem preocupados com a população, já tinham resolvido o problema do transporte público.”
A passageira completou: “Nem todo mundo vai ter dinheiro para pagar o táxi-lotação, porque tem gente que sai com os R$ 3,50 da passagem contadinho. E aí, vai fazer o quê? Infelizmente, estamos entregues.”
Táxi-lotação como alternativa temporária
Para minimizar os impactos, a Prefeitura de Rio Branco autorizou, em caráter temporário, o serviço de táxi-lotação, que começou a funcionar na quarta-feira (1º). A modalidade faz o transporte entre bairros e Centro pelo valor de R$ 5 por passageiro, enquanto durar a redução da frota.
Esta não é a primeira vez que ônibus da Ricco são alvo de medidas judiciais. Em julho de 2024, a Justiça de São Paulo determinou a busca e apreensão de 16 veículos da empresa após atraso no pagamento de financiamento. Com a redução da frota, passageiros enfrentam longas filas, coletivos lotados e aumento no tempo de espera.



