Drag queen baiana batizada como Roberto Romário celebra contraste com nome de artilheiros
Drag queen baiana batizada como Roberto Romário celebra contraste

Nome de batismo inspirado nos artilheiros do tetra

A maquiadora e drag queen baiana Roma Aragão, de 30 anos, carrega um nome de batismo que contrasta com sua identidade de gênero não binária e sua expressão artística. Registrada como Roberto Romário, ela nasceu três dias após a conquista do tetracampeonato mundial do Brasil na Copa de 1994, nos Estados Unidos. A escolha do nome composto foi uma promessa dos pais, Rosângela Chagas, de 65 anos, e Toni Jorge, de 63, ambos fãs de futebol. Caso a seleção brasileira fosse campeã, o filho receberia o nome de um jogador. "Ele nasceu três dias depois que acabou a Copa e o pai dele acabou colocando os dois nomes. Eu tinha mandado colocar só Roberto. Romário estava fora, mas ele [o pai] botou", explica Rosângela.

Contraste entre nome e identidade de gênero

Em entrevista ao g1, Roma revela que ama o contraste e a "confusão" que causa na cabeça das pessoas ao associar seus traços femininos e a arte drag a um nome tão ligado ao futebol. "Sou apaixonada por esse universo andrógino. Eu sempre gostei de ser menino e ter esses traços mais femininos, então eu amo esse contraste, amo essa confusão que acontece na cabeça das pessoas", afirma. Roma também destaca que, embora o futebol ainda seja visto como um ambiente masculino, drag queens também se interessam pelo esporte, torcem e vestem a camisa dos times. Diante disso, ela faz um apelo por mais inclusão e incentiva a comunidade drag a ocupar esses espaços. "Sou uma drag queen que gosta de futebol, que gosta do seu nome, que gosta da Copa, eu falo para esse ambiente que, por favor, nos aceitem", pediu.

Ressignificação do nome ao longo da vida

Hoje Roma tem orgulho do nome, mas não foi sempre assim. Na adolescência enfrentou conflitos internos por causa da dualidade entre a identidade de gênero não binária e o nome masculino. No início da carreira drag, chegou a adotar o nome artístico Isabela Sodré. O processo de ressignificação veio com o tempo, maturidade e diálogo. Ao falar sobre o nome de batismo e despertar a curiosidade das pessoas, passou a enxergar a própria história de outra forma. "Eu gosto muito do meu nome Romário. 'E aí, Roma', era a forma que meus amigos e familiares me chamavam, era um apelido carinhoso", detalhou. Com isso, ela decidiu adotar "Roma", apelido derivado de Romário, como nome de sua drag queen. "Não mantive 'Romário' porque, ao me apresentar, me ligavam a outra persona. Por mim, manteria sem problema. Então, abreviei para 'Roma', mas sempre deixo claro que meu nome é Romário", explica.

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Expectativa para a Copa e o Hexa

A primeira vez que os Estados Unidos sediaram a Copa do Mundo foi em 1994. Trinta e dois anos depois, a competição voltou a acontecer no país, e também no México e Canadá. Neste ano, o Brasil faz parte do Grupo C. A Seleção já empatou com Marrocos e venceu o Haiti. Nesta quarta (24), enfrenta a Escócia em confronto direto por uma vaga no mata-mata. A partida será disputada às 19h (de Brasília) e encerra a participação das duas equipes na fase de grupos. Para Roma Aragão, uma classificação inicial bem-sucedida servirá como um estímulo essencial para os jogadores. O avanço na primeira fase dará o gás necessário para que a equipe continue jogando bem ao longo do campeonato. "Eu acredito que eles vão passar dessa primeira fase e isso vai estimular para que eles continuem jogando bem. Até para pagar a língua do povo que duvida do time", afirma. A artista chegou a brincar com o nome de batismo e afirmou que, se fosse convocada para atuar na seleção, faria um bom trabalho em campo para ajudar a trazer o título.

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Reconhecimento da identidade não binária na Bahia

Pessoas não binárias podem vivenciar identidades agênero (sem gênero), bigênero (ambos os gêneros), de gênero neutro, fluido ou qualquer outra identidade fora do binário masculino-feminino. Em maio de 2020, após solicitação da Defensoria Pública do Estado (DPE-BA) e do Ministério Público, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) aprovou a inclusão de gênero não binário nos registros civis, de forma administrativa, de pessoas que assim se identificam e que buscam a alteração de nome e gênero. A determinação foi aprovada pelo corregedor-geral José Edvaldo Rocha Rotondano e o desembargador Jatahy Júnior em março deste ano. A solicitação feita pelas instituições argumentou que o provimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o caso de alteração de nome e gênero de pessoas trans, que reconhecem seu gênero distintamente do seu sexo biológico, também se aplica às pessoas que não se reconhecem como o gênero masculino ou feminino. A partir da aprovação do TJ-BA não é mais necessário judicializar ações desta natureza.