No Recife, a sanfona continua viva nas mãos da pequena Luna Araújo de Albuquerque, de apenas 8 anos, que começou sua história com o instrumento antes mesmo de nascer. Estudante do Conservatório Pernambucano de Música, ela aprendeu os primeiros acordes aos 5 anos e hoje se destaca pela dedicação e facilidade de aprendizado.
Início precoce e talento nato
Luna conta que sua ligação com a sanfona começou ainda na barriga da mãe: "Eu na barriga da minha mãe, minha avó ficava: 'Ela vai ser sanfoneira'. Aí meu pai dizia: 'Ela vai ser guitarrista'. Depois, quando eu nasci, meu avô foi e comprou sanfona. Eu estava com um ano de idade. Ele começou a tocar e eu gostei". Aos 8 anos, ela segue aprimorando a técnica com o professor Júlio César Mendes, que destaca sua habilidade acima da média para a idade.
Legado cultural e familiar
Segundo o professor, o ambiente familiar foi fundamental para o interesse da menina. "Ela provavelmente viu pessoas fazendo isso [tocando], e achou interessante. É a coisa do legado cultural, da nossa música que tem essa memória coletiva, que nasce justamente na idade que Luna está. Nesse momento que ela está, de observar as circunstâncias, de observar o que está acontecendo (...) é nesse momento que isso se constrói", afirma Júlio César Mendes.
Os avós Elieser Cavalcanti e Káthya Nunes são os principais incentivadores. Elieser se emociona ao ver a neta tocar: "Ela toca muito, toca muito. Por sinal, quando ela começa a tocar, faz mais do que eu. E a emoção é muito grande, eu me emociono muito. Tem hora que não consigo conter e é uma alegria muito grande. (...) De vez em quando eu estou chorando".
Memória afetiva e orgulho
Káthya Nunes destaca o orgulho de ter a neta sanfoneira e lembra da própria avó, paraibana, apaixonada por forró e fã de Luiz Gonzaga. "Minha história com o sertão, o forró, ela é a memória afetiva. É lembrar da minha avó, que era fã. (...) Tenho muito orgulho de Luna ser sanfoneira e não deixar de ser criança. É herdeira de um legado. A sanfona é a alma do nordestino, é a alma do brasileiro", conta a avó.
Símbolo dos festejos juninos e da cultura nordestina, a sanfona atravessa gerações e mantém vivo um legado que tem Luiz Gonzaga como um de seus maiores representantes. Com Luna, essa tradição ganha continuidade e nova vida.



