Uma expedição da ONG SOS Mata Atlântica identificou que o Rio Tietê, no trecho de Salto (SP), teve uma melhora no nível de oxigênio da água, mas continua carregando poluentes da Região Metropolitana de São Paulo e agrotóxicos vindos da agricultura. O relatório foi divulgado nesta quinta-feira (25).
Estudo percorre 14 pontos de monitoramento
Os estudos começaram em 2025. Os pesquisadores percorreram o rio desde a nascente, em Salesópolis (SP), até a foz, no Rio Paraná, para mapear os impactos ambientais em 14 pontos de monitoramento. A análise busca identificar a presença de esgoto, microplásticos, defensivos agrícolas e resíduos de remédios.
Poluição industrial e agrícola
Embora o Tietê pareça visualmente mais limpo no interior do que na capital, o relatório aponta que o polo industrial da região de Sorocaba, Itu e Salto também contribui para a poluição da água. Outro problema são os níveis elevados de nitrogênio, comum em regiões com forte descarte de esgoto ou uso de fertilizantes.
Melhora no oxigênio dissolvido
Apesar dos poluentes, Salto teve uma leve melhora na qualidade da água, registrando 7,99 mg/L de oxigênio dissolvido. O índice é considerado positivo para manter a vida aquática saudável, que exige valores acima de 4 mg/L para evitar a morte de peixes. O município também entrou na lista de cidades com baixa contaminação por parasitas.
O avanço, porém, não foi suficiente para tirar o trecho da classificação 'ruim' do Índice de Qualidade da Água (IQA), devido à alta presença dos outros poluentes químicos e industriais.
Espuma tóxica e transbordamento
Entre maio e o início de junho, o trecho de Salto ficou coberto por uma camada de espuma tóxica. O fenômeno é provocado pelo despejo de detergentes e produtos químicos sem tratamento vindos da Grande São Paulo, que se agitam ao passar pelas cachoeiras da cidade. Segundo a fundação, o Tietê recebe 600 toneladas de poluentes por dia.
Além da poluição, o volume de água mobilizou as autoridades. O rio transbordou na tarde de quarta-feira (24) e alagou ruas do bairro Jardim Três Marias. Como medida de segurança, a Defesa Civil interditou um trecho da Rua 24 de Outubro para afastar pedestres e curiosos.
A vazão máxima do rio atingiu o pico de 755 m³/s às 6h da manhã desta quinta-feira (25). De acordo com o último boletim da prefeitura, emitido às 7h, o volume começou a baixar e a vazão recuou para 734 m³/s.



