Arara-azul é reconhecida como símbolo de MS e volta à lista de extinção
Arara-azul é símbolo de MS e volta à lista de extinção

A Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) foi oficialmente reconhecida como ave-símbolo de Mato Grosso do Sul em 2025. No mesmo ano, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) incluiu a espécie na nova Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, classificando-a como Vulnerável (VU). Publicada no Diário Oficial da União (DOU), a atualização reúne 24 espécies entre Vulneráveis e Em Perigo (EN), reforçando a urgência de ações de conservação.

Impacto dos incêndios no Pantanal

Neiva Guedes, presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, explicou que os grandes incêndios no Pantanal afetaram diretamente a espécie, que depende de poucas árvores para alimentação, abrigo e reprodução. “Quando ocorrem esses incêndios no Pantanal, além de queimar ninho, ovos e filhotes, queima o habitat como um todo”, afirmou. Ela destacou que os incêndios alteram a relação entre espécies, levando a novas predações que afetam a arara-azul-grande por vários anos após o fogo.

Monitoramento e reprodução

O Instituto Arara Azul mantém monitoramento contínuo dos ninhos, ovos e filhotes, registrando dados pelo Projeto Arara Azul. Neiva relatou que houve “grande diminuição do número de casais se reproduzindo e consequentemente do sucesso reprodutivo por conta dos grandes incêndios”. Além de destruir ninhos, ovos e filhotes, os incêndios comprometem a saúde das aves, resultando em filhotes com lesões na pele, desenvolvimento abaixo do esperado e aumento de nanismo. Antes dos incêndios, cerca de 7% das araras monitoradas apresentavam essa condição; após as queimadas, o índice cresceu.

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Recuperação e classificação

A classificação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) considera o risco de extinção em todo o território nacional. Neiva destacou que o trabalho no Pantanal desde 1990, com ninhos artificiais e manejo, contribuiu para recuperar a população e expandi-la para áreas do Cerrado. “Isso melhorou o número de araras na natureza, tanto que ela saiu da lista em 2014. Porém, com os grandes incêndios que acabam afetando muito uma espécie que é extremamente especialista e vulnerável quanto ao hábitat faz com que ela sofra mais por isso que ela volta para essa lista”, completou.

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