A dengue voltou a ser motivo de preocupação em dois estados brasileiros: Goiás e Tocantins. Desde o início do ano, essas regiões vêm registrando uma explosão de casos da doença, com números alarmantes e mortes. O mototaxista Roberto, por exemplo, começou a sentir dores no corpo, febre e mal-estar. Ao procurar uma unidade de pronto atendimento em Araguaína, no Tocantins, recebeu o diagnóstico de dengue grave, com hemorragia. Ele foi uma das seis vítimas fatais da doença no estado.
Cenário contrastante com o resto do país
Enquanto o Brasil conseguiu reduzir as notificações de dengue de mais de um milhão para pouco mais de 300 mil casos entre janeiro e maio, o Tocantins segue na contramão. No mesmo período, os registros no estado saltaram de 1.500 casos, no ano anterior, para mais de 15 mil, além de seis mortes confirmadas. Especialistas apontam que a circulação simultânea de diferentes tipos do vírus é um dos principais fatores para o avanço dos casos graves.
“A gente encontra alguns municípios com uma circulação tardia do vírus e, às vezes, até diferentes tipos de vírus circulando ao mesmo tempo. Por isso essa é uma região que necessita de medidas adicionais”, explica Eder Gatti, diretor de imunização do Ministério da Saúde.
Vacinação com baixa adesão
Diante do cenário, o Ministério da Saúde recomendou um mutirão de vacinação com faixa etária ampliada, de 15 a 59 anos, nos municípios mais afetados. O mutirão, que deveria terminar em 2 de maio, teve pouca procura e precisou ser prorrogado. Em Araguaína, cidade que concentra cerca de 5 mil casos e cinco das seis mortes no estado, apenas 33% do público-alvo tomou a vacina no período regular.
Goiás, por sua vez, registra a maior taxa de incidência de dengue entre os dois estados: mais de 1.000 casos para cada 100 mil habitantes, totalizando 80 mil casos e 33 mortes. Quase metade dos registros está concentrada em 17 cidades tocantinenses. “A partir do momento em que a gente consegue vacinar uma grande fatia da população, por exemplo, de 50% a 60% ou mais, a gente já vai começar a sentir os efeitos indiretos da vacinação”, afirma Gatti.
Quem enfrentou a forma grave da doença reforça a importância da prevenção. “Cuide da sua casa, da sua rua, do seu quintal, recomende aos vizinhos. Não perca tempo, porque isso é muito sério”, alerta a administradora Jaqueline Corrêa Alves, que se recuperou da dengue grave.
Ações das secretarias de saúde
As secretarias de saúde de Goiás e do Tocantins informaram que estão realizando mutirões e campanhas de conscientização nos municípios mais atingidos, além de investirem em tecnologia e na capacitação das equipes de saúde. A expectativa é que essas medidas ajudem a conter o avanço da doença e a reduzir o número de casos graves e óbitos.



