O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou polêmica ao pedir ao desembargador Ricardo Couto, governador em exercício do Rio de Janeiro, que prenda “os ladrões que governaram esse Estado e os deputados que fazem parte de uma milícia organizada”. A declaração foi feita durante agenda na Fiocruz no sábado, 23 de maio de 2026.
Nota oficial da Alerj
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) emitiu uma nota oficial classificando como “inaceitável” qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar a Casa e seus representantes. O texto afirma que a Alerj “merece respeito” de todas as autoridades, inclusive do presidente da República. “O momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade — e não declarações que estimulem divisão política ou prejulguem instituições”, diz a nota.
Reação de Douglas Ruas
O presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), pré-candidato a governador, também reagiu com um vídeo nas redes sociais. Ele mirou críticas a Lula e a Eduardo Paes (PSD), prefeito do Rio e adversário político, que não estava presente no evento. “Lula desrespeitou nosso povo fazendo ataques generalizados. Lula e seu amigo Eduardo Paes não têm moral para dar lição ao Rio de Janeiro sobre combate ao crime organizado”, afirmou Ruas. Ele ainda lembrou que Lula já chamou traficante de “vítima do usuário de drogas” e trata “o bandido como vítima da sociedade”.
Crise na Alerj
A Alerj enfrenta uma crise de imagem após a prisão de três deputados estaduais suspeitos de ligação com o crime organizado em menos de um ano pela Polícia Federal. A situação política se agravou com a disputa pela sucessão do governo estadual. Ruas, em um cálculo do PL, pretendia assumir o governo interinamente e disputar a eleição indireta após a renúncia de Cláudio Castro (PL). No entanto, a linha sucessória foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu que, enquanto persistir o imbróglio sobre uma eleição antes de outubro, quem fica no poder é o desembargador Ricardo Couto.
Declarações de Lula
Na ocasião, Lula disse a Ricardo Couto: “Eu nunca tinha te visto, mas quando começou esse processo, de votação na Assembleia Legislativa, eu falei: ‘Se a Assembleia indicar, vai vir o mesmo. Ia vir um miliciano’.” A fala foi interpretada como um ataque direto aos deputados estaduais.
Íntegra da nota da Alerj
Confira a resposta oficial do Legislativo fluminense:
“A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro respeita as instituições da República e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da República. É inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro. A ALERJ é uma instituição democrática, legítima e merece respeito. O Rio de Janeiro enfrenta desafios históricos na segurança pública, muitos deles relacionados inclusive à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país. O momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade — e não declarações que estimulem divisão política ou prejulguem instituições. Seguiremos trabalhando pelo fortalecimento da democracia, da segurança pública e da defesa da população do Estado do Rio de Janeiro.”



