O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (24) que o bloqueio americano no estreito de Hormuz permanecerá em vigor até que um acordo com o Irã seja formalmente concluído. Em publicação na rede Truth Social, Trump escreveu: "As negociações estão procedendo de forma ordenada e construtiva, e informei meus representantes que não se precipitassem porque o tempo está do nosso lado. O bloqueio continuará em força e efeito total até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado."
Declarações contraditórias
As afirmações do republicano parecem contrariar o que ele próprio disse no sábado (23), quando indicou que as negociações estavam em seus detalhes finais e que um entendimento poderia ser fechado ainda naquele final de semana, incluindo a reabertura de Hormuz. Agora, Trump enfatiza que "os dois lados têm que tomar seu tempo para fazer o acordo direito. Não pode haver erros!" e acrescenta que a relação com o Irã está se tornando "mais profissional e produtiva".
Posição iraniana
Do lado iraniano, não há sinais de grandes concessões. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o Irã está disposto a reassegurar o mundo de que não busca armas nucleares, algo que o país já defendia antes do conflito, apesar de seu programa de enriquecimento de urânio ultrapassar o necessário para usos civis. Pezeshkian também declarou que os negociadores iranianos não abrirão mão da honra e da dignidade do país, indicando poucas concessões, já que Teerã considera seu programa nuclear um direito inalienável.
Pressão de Israel
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que ele e Trump concordam que qualquer acordo para encerrar o conflito deve incluir o desmantelamento do programa nuclear iraniano. Em sua publicação, Trump voltou a criticar o acordo anterior com Teerã, negociado pelo ex-presidente Barack Obama, do qual ele retirou os EUA em seu primeiro mandato. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reforçou: "A ideia de que esse presidente, dado tudo que ele já provou que está disposto a fazer, vai de algum jeito concordar com um acordo que termine colocando o Irã em uma posição mais forte quando se trata de suas ambições nucleares é absurda. Isso simplesmente não vai acontecer."
Controle do estreito de Hormuz
Outro ponto defendido pelo Irã é o controle sobre o estreito de Hormuz, tratado como um direito do país, apesar de tratados internacionais sobre liberdade de navegação. Teerã criou uma agência de administração da passagem marítima, tentando institucionalizar o controle estabelecido desde o início da guerra, em fevereiro. Segundo a Guarda Revolucionária, 33 embarcações já passaram pela via após obter aval iraniano – não está claro se isso envolve pagamento de taxas ou outras concessões baseadas na origem e destino dos navios. Apesar da declaração de Trump no sábado de que o acordo prevê a reabertura de Hormuz, o Irã discorda. Mohsen Rezaei, assessor do líder supremo Mojtaba Khamenei, afirmou neste domingo que a gestão do estreito é um "direito legal" do país e que "a administração iraniana do estreito de Hormuz encerra 50 anos de insegurança no golfo Pérsico".
Reação de países árabes
De acordo com agências de notícias de Omã, autoridades do país e do Irã se reuniram neste domingo para discutir princípios para uma governança da liberdade de navegação em Hormuz. Omã foi um dos países menos atingidos por ataques retaliatórios iranianos, que miraram outros países árabes com forte presença americana em bases militares, como Qatar e Emirados Árabes Unidos. Segundo o jornal britânico The Guardian, cinco países do golfo (Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar, sem a assinatura de Omã) enviaram uma carta à Autoridade Marítima Internacional pedindo que embarcações comerciais não aceitem medidas estipuladas pelo Irã para Hormuz, como o pagamento de taxas. Na carta, os países árabes afirmam que aceitar tais medidas criaria um precedente perigoso para a navegação regional e mundial.



