Andrew Ross Sorkin analisa o crash de 1929 e alerta para riscos atuais
Andrew Ross Sorkin analisa crash de 1929 e alerta para riscos

O jornalista Andrew Ross Sorkin, conhecido por sua cobertura de Wall Street e por criar a newsletter DealBook do New York Times, lança no Brasil o livro 1929 – Por dentro da maior crise da história de Wall Street e como ela abalou o mundo. A obra, que se tornou best-seller nos Estados Unidos, chega às livrarias brasileiras em 15 de junho pela Companhia das Letras.

Paralelos com o presente

Sorkin reconstitui os eventos que levaram ao crash de 1929, destacando como a prosperidade e o otimismo cegaram investidores, reguladores e a imprensa. Ele traça paralelos com a atual euforia em torno da inteligência artificial, que renova recordes nos mercados e atrai capital. Para ele, o mercado está mais perigoso, com um descompasso entre riscos geopolíticos e a empolgação dos investidores.

O papel dos céticos

O autor alerta que a alta do mercado silencia os céticos, que muitas vezes abandonam o ceticismo. Ele cita a mitologia grega: as Cassandras são ignoradas. Sorkin defende que o jornalista deve ser um cético profissional, levantando questões mesmo quando o público prefere torcer.

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Empresas grandes demais para quebrar

Assim como o National City Bank em 1929, empresas como Nvidia são vistas como grandes demais para quebrar. Sorkin sugere que o governo americano poderia socorrê-las em uma crise, criando uma proteção implícita que não existia no passado. Ele pondera que, apesar dos riscos, ser otimista no longo prazo compensou nos últimos cem anos.

Bolhas e transformação tecnológica

Em entrevista a Jeff Bezos, Sorkin ouviu que bolhas são necessárias para financiar transformações tecnológicas. O segredo é não deixar que a cultura de investimento se torne irracional, sem proteções e ceticismo. Ele destaca que, em 1929, a imprensa criava celebridades financeiras, papel que hoje cabe a jornalistas questionarem a governança e os riscos.

Lições dos documentos históricos

Sorkin passou oito anos pesquisando atas do Federal Reserve e diários pessoais. Descobriu que as vítimas do crash de 1929 frequentemente se culpavam, ao contrário da tendência atual de culpar terceiros. Também constatou que a falta de regras distorcia a moralidade: ninguém considerava imoral a manipulação de ações. A expressão 'Grande Depressão' foi cunhada pelo presidente Hoover para evitar a palavra 'pânico', o que hoje parece um erro.

  • O mercado caiu apenas 17% em 1929, mas a crise se aprofundou nos anos seguintes.
  • A obra de Sorkin busca extrair lições atemporais sobre bolhas financeiras.

O livro já está disponível para pré-venda e promete ser leitura essencial para investidores e interessados em história econômica.

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