JDE Peet's acelera investimentos em agricultura regenerativa no Brasil
JDE Peet's acelera agricultura regenerativa no Brasil

A JDE Peet’s, controladora das marcas Pilão e L’OR, está intensificando seus investimentos em agricultura regenerativa para valorizar a produção de café. A prática adota tecnologias que combinam alta produtividade com a restauração e conservação dos recursos naturais e da biodiversidade. Bruno Ribeiro, gerente de sustentabilidade da empresa, informou que 11 projetos receberão um aporte de R$ 20 milhões até 2029.

Expansão dos projetos regenerativos

O plano ganhou força após a norte-americana Keurig Dr Pepper concluir, em abril, a aquisição da holandesa JDE por US$ 18 bilhões. Em 2025, a JDE registrou faturamento de 9,9 bilhões de euros. A meta agora é continuar desenvolvendo projetos de regeneração no Brasil, envolvendo cooperativas, tradings e a indústria de insumos.

Parceria com a Syngenta

O interesse pela produção sustentável remonta a 2024, quando a JDE, que adquire 8% do café verde mundial, firmou parceria com a Syngenta para implementar a agricultura regenerativa em 30 fazendas na Mogiana paulista, no Cerrado e no Sul de Minas. No projeto, alguns cafeicultores conseguiram elevar a produtividade em 50% em apenas um ano, como o produtor Roberto Marchi.

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Foco na rentabilidade

Em vez de oferecer bônus financeiro direto pelo café sustentável, a JDE Peet’s aposta na eficiência técnica para garantir a perenidade da cadeia e a remuneração do produtor. “O bônus é uma ferramenta rápida, mas volátil. Se o mercado deixa de pagar, o produtor se desmotiva”, explicou Ribeiro. A estratégia concentra-se na rentabilidade por meio de ganhos de produtividade e redução de riscos, pilares do programa global de sustentabilidade Common Grounds, que abrange projetos com 86 produtores de café no mundo.

Bayer avança na agricultura digital

A Bayer, por meio da plataforma Climate FieldView, já mapeou 31 milhões de hectares no Brasil e quer expandir o uso de dados em soluções digitais para agricultores. “Essa área representa cerca de 50% da área plantada com soja e milho, com taxa de crescimento de 5% a 10% ao ano”, afirmou Abdalah Novaes, vice-presidente de Agricultura Digital para a América Latina da Bayer. Na Argentina, a plataforma cobre 18 milhões de hectares. A Bayer também levou o assistente digital para o México.

Ferramenta Valora Milho

Um dos objetivos da frente digital da Bayer no Brasil é apoiar os produtores no aumento de produtividade e na tomada de decisões. A empresa atua com o Bayer Valora Milho, ferramenta conectada a máquinas que fornece recomendações em tempo real sobre sementes, manejo e uso de nitrogênio. “O objetivo é que o programa alcance, até 2030, de 40% a 50% do nosso negócio de milho no Brasil e na Argentina”, antecipou Novaes. Atualmente, 650 mil hectares da safrinha de milho utilizam o plantio digital, com ganho médio de cinco sacas por hectare.

Plataforma de serviços ambientais da Agrotools

A Agrotools, agtech de São José dos Campos (SP), está estruturando uma plataforma para medir e atribuir valor financeiro a áreas preservadas em propriedades rurais. A solução cruza dados sobre carbono, biodiversidade e uso da terra para criar indicadores ambientais por fazenda. O objetivo é conectar produtores a bancos, empresas e investidores, viabilizando pagamentos por serviços ambientais. A empresa estima um mercado potencial de R$ 15 bilhões, considerando 30 milhões de hectares passíveis de atuação no país. Para ganhar escala, a Agrotools captou R$ 80 milhões no Eco Invest e busca mais de R$ 300 milhões.

Agrolend foca em grandes indústrias

A Agrolend, financeira especializada em crédito para o agronegócio, mudou seu perfil de operação em 2024, passando a focar em grandes indústrias de insumos como Basf, Bayer, Mosaic e FMC, em vez de manter a pulverização entre produtores rurais e revendas. Com a mudança, o tíquete médio das operações saltou de R$ 400 mil para aproximadamente R$ 4 milhões. No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou lucro líquido de R$ 18,1 milhões, alta de 208% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado subiu de 5,1% para 15,2%, enquanto a carteira de crédito alcançou R$ 791,6 milhões em março. A meta é chegar a R$ 2 bilhões até o fim do ano.

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