Vítima de estupro por adolescentes critica decisão judicial no Reino Unido
Vítima de estupro critica decisão judicial no Reino Unido

Uma adolescente que foi estuprada por dois meninos de 15 anos disse à BBC que a decisão de um juiz de não os prender foi como uma 'pedrada no rosto'. Em entrevista exclusiva ao programa 'Sunday with Laura Kuenssberg', da BBC, ela afirmou: 'Qual era o sentido de me fazer passar por tudo isso?'

O crime

A vítima, que na época tinha 15 anos, foi estuprada em novembro de 2024 em uma passagem subterrânea às margens do Rio Avon, em Fordingbridge, Hampshire. Ela havia viajado para encontrar um dos agressores pela primeira vez após um suposto relacionamento iniciado pelo Snapchat.

Os dois réus, agora com 15 anos, também foram condenados por atacar uma segunda vítima, estuprada em um campo em janeiro de 2025. Um terceiro menino, de 14 anos, foi condenado por envolvimento no segundo ataque. Os estupros foram filmados e parcialmente compartilhados online.

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A sentença

Na audiência no Tribunal Crown de Southampton, o juiz Nicholas Rowland destacou a gravidade dos crimes, mas decidiu evitar a 'criminalização' dos meninos, descrevendo-os como 'muito jovens'. Ele elogiou o comportamento deles durante o julgamento.

Um dos meninos de 15 anos recebeu ordem de reabilitação juvenil de três anos com 180 dias de supervisão intensiva. O outro recebeu a mesma pena por três acusações de estupro e quatro de produção de imagens indecentes. O menino de 14 anos recebeu ordem de 18 meses por incentivar o ataque.

Reação da vítima e família

A jovem e sua família consideram as penas uma 'palmadinha no pulso'. 'Por que fui lá e me submeti à dor de ir ao tribunal, passar por um julgamento, reviver tudo, assistir a tudo acontecer de novo?', questionou. Ela disse que levou seis meses para falar sobre o ataque e que agora sente raiva, tristeza e estresse.

A mãe da vítima apelou diretamente ao primeiro-ministro: 'Por favor, ajude. Se fosse sua filha, sua sobrinha, seu filho, alguém da sua família, você estaria satisfeito?'. O companheiro dela disse ter se sentido 'fisicamente mal' com a decisão.

Reações políticas e institucionais

A procuradora-geral revisará a sentença em até 28 dias. O ministro Darren Jones sinalizou urgência. O deputado Robert Jenrick afirmou que o juiz cometeu um erro grave. A líder conservadora Kemi Badenoch disse estar 'enojada'. A Comissária para a Infância, Dame Rachel de Souza, ofereceu apoio às famílias. O governo compartilhou a indignação pública e disse que o caso está sendo revisado com urgência.

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