Câmara de Ribeirão Preto avança em processo contra vereador acusado de 'rachadinha'
Nesta terça-feira (31), a Câmara Municipal de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, deu um passo significativo na investigação de um caso que tem agitado o cenário político local. A comissão processante instituída para apurar denúncias contra o vereador Lincoln Fernandes (PL) ouviu as quatro primeiras testemunhas da fase de instrução, em sessões abertas ao público, mas com gravações proibidas pelo legislativo.
Testemunhos revelam práticas de desvio salarial
Durante os trabalhos, dois ex-assessores do vereador confirmaram ter participado ativamente da devolução de parte de seus salários a Lincoln Fernandes. Eles relataram métodos como saques em dinheiro e até o aluguel de um imóvel como parte do esquema. Em contraste, outras duas testemunhas negaram qualquer envolvimento ou conhecimento sobre a suposta 'rachadinha'. "As primeiras duas testemunhas disseram que faziam e sabiam da denúncia, sabiam da rachadinha existente no gabinete do vereador denunciado, já as outras duas testemunhas disseram que não sabiam de nada, não faziam parte dessa rachadinha", explicou Jean Corauci (PSD), presidente da comissão.
Defesa alega contradições e falta de provas
Os advogados de defesa de Lincoln Fernandes criticaram as oitivas, destacando uma série de contradições nos depoimentos e acusando uma das testemunhas de falso testemunho. "Foi muito tranquila, muito conveniente para a defesa, porquanto não se trouxe nenhuma prova convincente capaz de criminalizar o nosso cliente", afirmou o advogado Heráclito Mossin. A defesa argumenta que as alegações são infundadas e não sustentam a acusação de corrupção.
Contexto do processo e próximos passos
Lincoln Fernandes, que ocupa o cargo de segundo secretário na mesa diretora da Câmara, é investigado por suspeita de recolher parte dos salários de seus assessores como condição para mantê-los empregados. O processo de cassação foi aprovado em 25 de fevereiro por 20 vereadores, após o Conselho de Ética devolver o caso à presidência da Casa, recomendando a comissão processante como o melhor rito para tratar do tema.
A comissão, presidida por Jean Coraucci (PSD) e com Judeti Zilli (PT) como relatora e Sargento Lopes (PL) como membro, tem previsão de ouvir mais dez testemunhas citadas pela defesa antes de concluir os trabalhos em aproximadamente um mês. "Esse relatório será encaminhado no final para o plenário e o plenário sim decide o que vai acontecer, se vai aceitar esse relatório, pedindo uma cassação ou se aceita um relatório que não tem que cassar", detalhou Corauci.
O caso reflete preocupações mais amplas sobre integridade na administração pública e destaca os mecanismos de controle interno no legislativo municipal. A população de Ribeirão Preto aguarda com atenção o desfecho, que poderá resultar em sanções severas, incluindo a possível cassação do mandato do vereador.



