Nadia Marcinko, que foi a principal namorada de Jeffrey Epstein por sete anos, está no centro de novas controvérsias sobre o caso do financista criminoso. Durante a primeira passagem de Epstein pela prisão, em 2008, registros penitenciários mostram que ela o visitou pelo menos 67 vezes. Agora, ela é uma das quatro mulheres apontadas como "potenciais co-conspiradoras" em um acordo judicial de 2008 que lhes concedeu imunidade. Duas dessas mulheres, Sarah Kellen e Lesley Groff, estão prestes a ser interrogadas por parlamentares nos EUA, e há pressão para que Marcinko e Adriana Ross também sejam investigadas.
Quem é Nadia Marcinko?
Nadia Marcinko nasceu na Eslováquia, em uma família respeitada. Conheceu Epstein em 2003, em Nova York, durante uma festa de aniversário de Jean-Luc Brunel, amigo próximo de Epstein e dono de uma agência de modelos. Ela tinha 18 anos e trabalhava como modelo. Rapidamente, Epstein a convidou para sua mansão em Palm Beach e, depois, para sua ilha particular no Caribe. A diferença de idade era enorme: Epstein tinha 50 anos. Ela se tornou sua principal namorada após o fim do relacionamento com Ghislaine Maxwell.
E-mails revelam controle e abuso
E-mails entre Epstein e Marcinko, obtidos pela BBC, mostram que ele controlava todos os aspectos de sua vida, incluindo peso, roupas e até a comida que ela deveria aprender a cozinhar. Em uma mensagem, Epstein escreveu: "Quero que você aprenda a cozinhar ovos... quero que você administre uma casa... quero que leia um dos cem grandes livros todos os meses". Marcinko disse a investigadores que Epstein era fisicamente violento, chegando a sufocá-la e jogá-la escada abaixo. Ela também afirmou que ele a obrigou a fazer várias cirurgias plásticas.
Recrutamento de mulheres
Os e-mails também revelam que Epstein pedia que Marcinko recrutasse outras mulheres para satisfazer seus desejos sexuais. Em 2006, ela escreveu: "Vou tentar encontrar garotas sempre que estivermos em Nova York". Embora não haja evidências de que ela tenha recrutado menores, o recrutamento de adultos por meio de fraude pode ser configurado como tráfico. A congressista republicana Anna Paulina Luna afirmou que todas as quatro mulheres "se envolveram no tráfico de menores quando adultas".
A vida após Epstein
Após a morte de Epstein em 2019, Marcinko desapareceu da vida pública. Ela cooperou com o FBI e, em troca, recebeu apoio para permanecer nos EUA. O FBI declarou que ela foi "recrutada, abrigada e obtida por Jeffrey Epstein para fins de uma relação sexual coercitiva". Seu advogado diz que ela quer falar sobre sua condição de vítima, mas está "trabalhando em sua cura".
O dilema entre vítima e cúmplice
O caso levanta questões sobre se uma vítima de coerção sexual também pode ser considerada cúmplice. A professora de direito Bridgette Carr, da Universidade de Michigan, explica que é necessário determinar se a vítima continuou cometendo crimes depois de escapar do controle do agressor. No caso de Marcinko, é impossível saber quais escolhas ela teve ao longo de sua associação com Epstein. Um e-mail de 2012 sugere sua culpa: "Eu sei do que você é capaz e sempre serei protetora em relação a você por pura lealdade e teimosia, mas minha consciência está longe de estar limpa".



